Do exame ao tratamento: o que mudou no cuidado com a tireoide
Avanços no cuidado com a tireoide: do diagnóstico ao tratamento

No Dia Mundial da Tireoide, celebrado em 25 de maio, a endocrinologista Maria Fernanda Barca, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, alerta para a importância de reconhecer os sinais de problemas na glândula tireoide. Apesar de ser um assunto popular, até 60% das pessoas com doenças tireoidianas desconhecem sua condição. Os sintomas são frequentemente sutis, surgem gradualmente e são confundidos com estresse, envelhecimento ou hábitos de vida.

O papel central da tireoide

Localizada no pescoço, a tireoide é pequena, mas essencial para o metabolismo. Ela produz os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que regulam o metabolismo, influenciam a fertilidade e garantem o funcionamento adequado de órgãos como coração e cérebro. As alterações mais comuns incluem o hipotireoidismo (produção insuficiente de hormônios) e o hipertireoidismo (produção excessiva). A maioria dos nódulos tireoidianos é benigna, não associada ao câncer, e ocorre com mais frequência com o avanço da idade, sendo descobertos incidentalmente em exames de imagem. O câncer de tireoide, por sua vez, geralmente tem evolução lenta e altas taxas de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente.

Mudanças no diagnóstico e tratamento

Nos últimos anos, houve uma transformação significativa na abordagem das doenças da tireoide. Saiu-se de um modelo padronizado para uma estratégia individualizada, que leva em conta as características de cada paciente. Atualmente, exames mais precisos, alguns com suporte de inteligência artificial, e tratamentos menos invasivos estão disponíveis. Um exemplo claro é o manejo dos nódulos tireoidianos: antes, muitos pacientes eram encaminhados diretamente para cirurgia; hoje, técnicas como a ablação por radiofrequência permitem tratar determinados nódulos com uma agulha guiada por imagem, sem cortes e com recuperação mais rápida. Em casos selecionados, isso evita a necessidade de cirurgia.

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Avanços cirúrgicos e hormonais

Mesmo quando a cirurgia é indicada, houve evolução. Diretrizes da American Thyroid Association recomendam, em alguns casos de câncer, a retirada de apenas parte da glândula (lobectomia), em vez da remoção total. Isso pode reduzir a necessidade de reposição hormonal por toda a vida. No tratamento do hipotireoidismo, a levotiroxina continua sendo o padrão-ouro, uma reposição hormonal segura e eficaz. O diferencial atual está no ajuste fino da dose, considerando idade, peso, outras doenças, uso de medicamentos e rotina do paciente. Mais do que tratar exames, trata-se de tratar pessoas.

Desafio do diagnóstico

Apesar dos avanços, o maior desafio ainda é o diagnóstico precoce. Reconhecer os sinais, mesmo os mais discretos, e buscar avaliação médica é fundamental. Os principais sintomas variam conforme a falta ou o excesso de hormônios: cansaço, ganho ou perda de peso, sensação de frio, pele seca, queda de cabelo, intestino preso, lentidão de raciocínio, irritabilidade, insônia, tremores, suor excessivo, sensação de calor e coração acelerado. A informação continua sendo o primeiro passo para o cuidado. Prestar atenção aos pequenos sinais pode mudar o curso de uma vida inteira.

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