Coleta de medula óssea em pets é essencial para diagnóstico de doenças graves, explica veterinário
Medula óssea em pets: procedimento vital para diagnóstico de doenças

Coleta de medula óssea em pets: procedimento vital para diagnóstico de doenças graves

A medula óssea é frequentemente descrita como a "fábrica" do organismo, responsável pela produção dos componentes essenciais do sangue: glóbulos vermelhos (hemácias), glóbulos brancos (leucócitos) e plaquetas. Enquanto em humanos o transplante de medula óssea é amplamente conhecido, especialmente para tratamento de leucemia, na medicina veterinária a coleta desse tecido assume um papel crucial no diagnóstico de diversas enfermidades graves que afetam cães e gatos.

Importância do procedimento na prática veterinária

Em entrevista ao g1, o médico-veterinário oncologista e cirurgião de tecidos moles Caio Pain, que atua em Dracena (SP), explicou que a punção de medula óssea é um procedimento minimamente invasivo indicado principalmente quando há alterações significativas no hemograma que não podem ser esclarecidas por exames convencionais. "As principais indicações dentro da medicina veterinária são as suspeitas de leucemias e linfomas que acometem a medula, investigação de anemia sem uma causa definida, quedas persistentes de plaquetas ou glóbulos brancos e avaliação de doenças infecciosas", destacou o especialista.

Pain reforçou que, embora não seja um exame de rotina, ele é essencial para compreender por que o organismo do animal parou de produzir células sanguíneas normais. "Ele nos auxilia nessa questão, permitindo um diagnóstico mais preciso e direcionando o tratamento adequado", afirmou.

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Doenças mais comuns e a necessidade da coleta

Segundo o veterinário, os linfomas estão entre os cânceres mais frequentes em cães e gatos. Quando a doença infiltra a medula óssea, tornando-se mais sistêmica, os sintomas incluem anemia persistente, queda de plaquetas e resposta inadequada ao tratamento inicial. "Avaliar a medula ajuda a estadiar a doença, entender a gravidade e ajustar o protocolo quimioterápico", explicou Caio Pain.

O especialista observou que existe uma maior incidência na população canina de doenças hematológicas e oncológicas que exigem a realização do mielograma, que é a punção da medula óssea. "Além de os cães apresentarem maior variedade de tumores sistêmicos que exigem um estadiamento medular. Mas nos gatos também é extremamente importante [a coleta da medula]", reforçou. Nos felinos, o procedimento é menos frequente, mas quando indicado, geralmente está associado a alterações hematopoéticas relacionadas a doenças infecciosas e neoplásicas, muitas vezes ligadas a infecções crônicas.

Como é realizada a coleta de medula óssea em animais

Para a execução do procedimento, a equipe médico-veterinária realiza uma avaliação clínica prévia para garantir a estabilidade do animal e elabora um planejamento anestésico individualizado. "A realização da punção da medula óssea exige um preparo técnico semelhante ao de procedimentos cirúrgicos. A coleta em si é rápida, geralmente entre 15 e 25 minutos, incluindo a preparação e a recuperação do paciente", detalhou o oncologista.

O resultado do exame costuma ficar pronto entre cinco e sete dias, prazo necessário para o envio do material ao laboratório e para a análise morfológica detalhada das células. "Precisa de uma manipulação correta dessa amostra, tanto em questão de tempo quanto de qualidade, o que pode influenciar no resultado. A partir da qualidade da coleta, a gente consegue ter um diagnóstico mais claro e preciso", enfatizou Caio Pain.

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Transplante de medula óssea em pets: realidade ainda limitada

Questionado sobre a possibilidade de transplante de medula óssea em animais, o veterinário explicou que o procedimento já foi estudado e realizado de forma experimental, principalmente em cães com câncer. No entanto, os resultados obtidos até agora não foram suficientes para que se tornasse um tratamento de rotina. "O que evoluiu, de verdade, foi a terapia com as células-tronco regenerativas, que é bem diferente. Ela tenta modular a inflamação e regeneração do sinal, não substitui toda a medula, como na medicina humana, pelas dificuldades técnicas, custos elevados e o resultado ainda limitado", pontuou.

Por conta dessas limitações, o transplante de medula óssea se tornou mais restrito na medicina veterinária. "Não é que não é feito, mas é mais restrito a centros de pesquisa. Ainda está em estudo, em avanço, não dá para se fazer ainda em larga escala", completou o especialista, reforçando que, atualmente, a coleta para diagnóstico continua sendo a ferramenta mais valiosa no manejo de doenças graves em pets.