O Brasil enfrenta um novo surto de intoxicações por metanol, reacendendo o alerta para uma crise sanitária que já causou dezenas de mortes e sequelas irreversíveis em todo o país. Dados oficiais e novos episódios confirmados mostram que o problema está longe de ser controlado, pressionando autoridades e setor produtivo por soluções efetivas.
Novos casos e mortes reacendem a crise
As secretarias estaduais de saúde registraram novos incidentes graves envolvendo a substância tóxica. Na Bahia, sete casos foram confirmados e uma morte foi registrada em decorrência da ingestão de metanol. Enquanto isso, em São Paulo, as autoridades investigam um óbito que pode estar relacionado ao mesmo tipo de intoxicação.
Esses episódios se somam a um cenário nacional alarmante. Segundo informações do Ministério da Saúde, entre 26 de setembro e 5 de dezembro, houve 890 notificações de intoxicação por metanol, com 22 mortes confirmadas. Os números revelam a dimensão de um problema de saúde pública que atinge diversas regiões do Brasil, deixando vítimas com sequelas permanentes.
ABCF pede sistema de rastreabilidade com urgência
Diante do aumento dos casos, a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) emitiu um posicionamento firme. A entidade afirma que a situação atual expoe a fragilidade da fiscalização e coloca em risco a credibilidade de todo o setor de alimentos e bebidas.
Em nota, a ABCF defende, com caráter de urgência, o restabelecimento de um sistema nacional de rastreabilidade segura, promovido pelo Estado. A proposta inclui a garantia de marcação dos produtos desde a origem, no fabricante, assegurando a autenticidade e fortalecendo o controle sobre a cadeia produtiva.
A associação cita como exemplo a ser seguido o Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas), que foi suspenso em 2016. Para a ABCF, a reativação de um mecanismo semelhante é um passo crucial para combater a falsificação e evitar que produtos adulterados, contendo metanol, cheguem aos consumidores.
Uma crise sanitária com vítimas em todo o país
A intoxicação por metanol não é um problema novo, mas os recentes casos mostram sua persistência e gravidade. A substância, usada ilegalmente para adulterar bebidas alcoólicas, principalmente as destiladas, pode causar cegueira, danos neurológicos irreversíveis e levar à morte.
O combate a essa crise depende de uma ação coordenada que envolva:
- Fortalecimento da fiscalização em pontos de produção e venda.
- Implantação de tecnologia de rastreabilidade que permita identificar a origem do produto.
- Campanhas de conscientização para alertar a população sobre os riscos.
- Agilidade nas investigações para identificar e punir os responsáveis pela adulteração.
Enquanto medidas concretas não forem adotadas, a população brasileira continua vulnerável a uma ameaça silenciosa e letal, que transforma um momento de consumo em uma tragédia familiar.