Infestação de escorpiões em creche municipal aterroriza comunidade escolar em São Carlos
Uma situação de emergência sanitária tem mantido pais e responsáveis em estado de alerta constante no Centro Municipal de Educação Infantil (Cemei) Homero Frei, localizado no bairro Santa Felícia, em São Carlos, interior de São Paulo. A unidade educacional, que atende crianças na faixa etária de 0 a 5 anos, enfrenta uma grave infestação de escorpiões peçonhentos, com relatos assustadores de animais sendo encontrados dentro de mochilas, salas de aula e áreas de recreação.
Medo diário e relatos alarmantes
O problema, que já era conhecido pela comunidade escolar, intensificou-se drasticamente na última semana, levando famílias a entrarem em contato com a imprensa local para denunciar o perigo iminente. Bianca Valencio, recepcionista e mãe de um aluno, viveu um momento de terror ao descobrir um escorpião dentro da mochila do filho no final de 2025. "Aí o coração da mãe fica apertado, a gente fica agoniada, porque como que a gente trabalha e deixa o nosso filho sabendo que ele corre um risco diário", desabafou a preocupada mãe.
Outro relato vem do vigilante José Robero Camago Júnior, que questiona as medidas de proteção: "Se um bicho picar ela [minha filha de 2 anos], qual é a situação que vai ficar? Qual é a providência?". Os escorpiões têm sido avistados em diversos tamanhos, tanto nas áreas internas quanto externas da escola, incluindo locais de alta circulação infantil como o parque recreativo.
Ações emergenciais e promessas da secretaria
Diante da gravidade da situação, a Vigilância Sanitária e Controle de Zoonoses realizou uma inspeção na unidade, removendo alguns animais durante a vistoria. Porém, no mesmo dia, pais relataram a descoberta de mais quatro escorpiões próximos ao parque infantil. Na sexta-feira, dia 6, novos casos surgiram com dois escorpiões encontrados dentro das salas de aula.
Nesta segunda-feira, dia 9, equipes municipais retornaram à creche para realizar limpeza e troca da areia do parque, mas antes mesmo da intervenção, dois pequenos escorpiões foram localizados dentro do prédio escolar. O secretário de Educação de São Carlos, Roselei Françoso, reconheceu a infestação ocorrida na semana anterior e anunciou um plano de ação que inclui:
- Pintura com esmalte sintético ou óleo nas superfícies para dificultar a locomoção dos animais
- Criação de barreiras com graxa nos muros, conforme sugerido pelos pais
- Varreduras diárias realizadas por funcionários especializados
- Intensificação das dedetizações periódicas
"A ideia é que a gente consiga ter um olhar mais carinhoso com a escola, colocando funcionário pra fazer varredura todos os dias pela manhã. E também intensificar as dedetizações pra que possa de fato expelir esse animal peçonhento", explicou o secretário, destacando a necessidade de atenção redobrada por se tratar de crianças pequenas que podem tentar interagir com os animais.
Condições estruturais que favorecem a proliferação
Além da infestação propriamente dita, os pais apontam graves problemas estruturais que criam um ambiente ideal para a proliferação dos escorpiões. Entre as principais queixas estão:
- Mato alto nos arredores da escola
- Telas de esgoto danificadas
- Falta de manutenção adequada nos muros
- Limpeza insuficiente que se restringe apenas às áreas próximas às divisas
Uma das mães relatou à equipe de reportagem que a limpeza dos arredores é realizada apenas nas áreas próximas ao muro da escola, deixando o restante do local sem a manutenção necessária. A situação é agravada por relatos de usuários de drogas nas proximidades e furtos de alimentos da escola durante datas comemorativas.
O cenário de abandono e falta de cuidados transformou o entorno da creche em um verdadeiro criadouro para escorpiões, aumentando exponencialmente o risco para as crianças que frequentam a unidade diariamente. A comunidade escolar aguarda com ansiedade a implementação efetiva das medidas prometidas pela secretaria de Educação, enquanto vive sob a constante ameaça de acidentes com os animais peçonhentos.



