A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta sexta-feira (8) que o risco de propagação do hantavírus para a população global é considerado extremamente baixo. O vírus afetou um navio de cruzeiro que partiu da Argentina em direção a Cabo Verde e deixou três mortos.
O que é o hantavírus?
Segundo as autoridades sanitárias, os hantavírus são vírus zoonóticos transmitidos principalmente por roedores selvagens e domésticos infectados. A contaminação humana ocorre pelo contato com urina, fezes ou saliva desses animais, geralmente em ambientes fechados ou contaminados. Em casos mais raros, a transmissão pode acontecer por mordidas. Até hoje, a transmissão entre pessoas foi documentada apenas em casos relacionados à cepa Andes, identificada nas Américas, especialmente na Argentina e no Chile, e mesmo assim é considerada incomum.
Sintomas e riscos da doença
As infecções por hantavírus podem variar de quadros leves a condições graves e potencialmente fatais. Nas Américas, o vírus pode provocar a chamada Síndrome Pulmonar por Hantavírus (SPH), caracterizada por rápida evolução e comprometimento dos pulmões e do coração. Já na Europa e na Ásia, algumas variantes do hantavírus estão associadas à Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (FHSR), doença que afeta principalmente os rins e os vasos sanguíneos. Especialistas alertam que os sintomas iniciais costumam incluir febre, dores musculares, fadiga e dificuldades respiratórias, podendo evoluir rapidamente em casos graves.
Tratamento e prevenção
Atualmente, não existe vacina ou tratamento antiviral específico contra o hantavírus. O atendimento médico precoce é considerado fundamental para aumentar as chances de sobrevivência, especialmente com suporte respiratório e monitoramento cardíaco e renal. As autoridades de saúde recomendam evitar contato com roedores e manter ambientes limpos e ventilados como principal forma de prevenção. O controle de infestações e o uso de equipamentos de proteção ao lidar com áreas contaminadas também são medidas consideradas essenciais.
O porta-voz da OMS, Christian Lindmeier, destacou a jornalistas em Genebra que o vírus é perigoso apenas para a pessoa infectada, mas o risco para a população em geral permanece extremamente baixo. Um dia antes, a entidade já havia alertado que o surto de hantavírus na embarcação não constitui, no momento, o início de uma epidemia ou uma pandemia. Maria Van Kerkhove, chefe do Departamento de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, reforçou que este não é o início de uma epidemia, mas é a oportunidade perfeita para reiterar que o investimento em pesquisas sobre patógenos como este é essencial, porque tratamentos, testes e vacinas salvam vidas.



