Psicopatia em mulheres: manipulação supera violência, revelam estudos
Psicopatia feminina: manipulação supera violência

Manipulação como marca da psicopatia feminina

Victoria sabia que seu namorado tinha esposa, mas suspeitava de outras amantes. Sem provas, confiava na linguagem corporal e na memória para conversas. Decidiu puni-lo: por meses, enviou fotos íntimas dele à esposa, sem ser descoberta. Quando terminou, enviou uma foto final com ela própria ao lado do homem. A revelação destruiu o casamento, e Victoria saiu de cena. "As pessoas perguntavam por que fiz isso com a esposa. Eu pensava: a vida é injusta", conta. Ela reconhece: "Isso é um exemplo de característica psicopata extrema que eu tinha: indiferença".

O que é psicopatia?

A psicopatia não é um diagnóstico oficial, mas está sob o distúrbio de personalidade antissocial. Caracteriza-se por baixos níveis de empatia e remorso, levando a comportamento antissocial e, às vezes, criminoso. O termo popularizou-se em 1941 com o livro "A Máscara da Sanidade", de Hervey Cleckley. A psicóloga Abigail Marsh, da Universidade de Georgetown, explica que a condição existe em um espectro: "Até 30% das pessoas exibem algum grau de características psicopatas na população geral".

Diferenças de gênero na psicopatia

A maioria dos estudos focou em criminosos do sexo masculino. A Lista de Controle da Psicopatia (PCL-R), desenvolvida por Robert Hare, é o padrão-ouro, mas foi criada com base em presos homens. Ana Sanz García, da Universidade de Madri, revisou estudos em 2021 e concluiu que mulheres com psicopatia exibem menos violência e mais manipulação interpessoal. "Seria interessante estudar por que mulheres com alto grau de psicopatia cometem menos crimes", afirma. Um estudo francês sugere que a frieza emocional é mais central na psicopatia feminina, enquanto os homens apresentam mais comportamento violento e antagônico.

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Manipulação como entretenimento

Victoria, da Malásia, cresceu em lar infeliz devido ao alcoolismo do pai. Para se divertir, espalhava segredos e manipulava colegas. Chegou a convencer uma professora de que atirou giz por pressão dos colegas. "Era o que ela queria ouvir", diz. Atualmente, busca ajuda para controlar impulsos. Ela não se ofende com vídeos do "desafio do psicopata" no TikTok, que somam mais de 20 milhões de visualizações. "Parte de ser psicopata é não se importar com o que pensam", afirma. "Mas mostra a pouca compreensão sobre o espectro da condição."

Comunidade online e apoio

M. E. Thomas, autora do blog Sociopath World, tem avaliação de psicopatia de 99%. Ela prefere o termo "sociopata" por ser mais compreensível. Seu livro "Confissões de uma Sociopata" foi traduzido para mais de 10 idiomas. "Vejo-me como uma fórmula, não como uma pessoa", diz. Alice, alemã de 27 anos, afirma que não tem empatia emocional, mas muita empatia cognitiva. "Se alguém se machuca, não sinto nada, mas sei que preciso ajudar." Ela vê isso como vantagem em emergências: "Não sou ofuscada pelas emoções, posso dar conselhos racionais".

Psicopatia como espectro e possíveis benefícios

O psicólogo Kevin Dutton, em "A Sabedoria dos Psicopatas", argumenta que características como frieza sob pressão podem ser úteis em profissões como altos executivos, cirurgiões e advogados. Uma pesquisa de 2011 no Reino Unido identificou essas profissões como as que mais exibem traços psicopatas. Marsh, cofundadora da Psychopathy Is, defende a desmistificação: "A psicopatia não é uma categoria, é um espectro. Alguns causam destruição, outros precisam apenas administrar sintomas."

Necessidade de mais pesquisa e apoio

As causas da psicopatia ainda são mal compreendidas. Estudos de neuroimagem mostram diferenças na amígdala cerebral, mas as conclusões não são consistentes. Marsh compara com a comunidade de pesquisa sobre autismo: "Eles se libertaram do estigma. Nós precisamos fazer o mesmo para desenvolver intervenções que ajudem pessoas com psicopatia a viver vidas produtivas." Enquanto isso, Victoria, Alice e Thomas usam meditação, terapia e apoio online. "Não estar nas sombras ajuda", diz Thomas. "Ainda há estigma, mas a realidade é que nós existimos."

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Características da psicopatia em casos extremos

  • Abordagem egoísta e indiferente aos relacionamentos
  • Falta de empatia pelo sofrimento alheio
  • Ausência de remorso após machucar outros ou desobedecer regras
  • Pouco senso de identidade própria
  • Manipulação para obter vantagens
  • Envolvimento em atividades perigosas ou arriscadas
  • Charme superficial