O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu um diagnóstico de traumatismo craniano leve após uma queda ocorrida na madrugada desta terça-feira, 6 de janeiro de 2026. O incidente aconteceu dentro da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, onde ele está detido.
Detalhes do incidente e diagnóstico
Segundo informações divulgadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, o ex-presidente teria batido a cabeça em um móvel dentro da cela. O quadro foi classificado como traumatismo craniano leve, também conhecido como traumatismo cranioencefálico (TCE).
O neurocirurgião Victor Hugo Espíndola, em entrevista à coluna GENTE, explicou que esse tipo de lesão é uma das causas mais comuns de atendimento em serviços de urgência. "O traumatismo craniano pode variar desde quadros leves, que evoluem bem apenas com observação, até situações graves e potencialmente fatais", afirmou o especialista.
Como é avaliada a gravidade do trauma?
Dr. Victor Hugo Espíndola detalhou que a gravidade não depende apenas da força do impacto, mas também das características do paciente e de sua resposta ao trauma. A classificação mais utilizada leva em conta:
- O nível de consciência, avaliado pela Escala de Coma de Glasgow.
- Os sintomas clínicos apresentados.
- Os achados em exames de imagem, como a tomografia.
Nos casos leves, a pontuação na Escala de Glasgow varia entre 13 e 15. Os sintomas podem incluir dor de cabeça, tontura, náuseas, breve confusão mental ou amnésia do momento do acidente.
Riscos e necessidade de observação
"Apesar de, na maioria das vezes, a evolução ser favorável, esse tipo de traumatismo não deve ser banalizado", alertou o neurocirurgião. Ele ressaltou que uma parcela dos pacientes pode desenvolver complicações tardias, mesmo após um período inicial sem sintomas importantes.
A tomografia de crânio costuma ser normal nos casos leves, mas isso não elimina totalmente o risco. Por esse motivo, a observação clínica é fundamental nas primeiras 24 a 48 horas após o trauma.
O médico listou sintomas que exigem reavaliação médica imediata:
- Dor de cabeça intensa ou que piora progressivamente.
- Vômitos repetidos.
- Sonolência excessiva ou confusão mental.
- Alterações na fala ou na visão.
- Fraqueza em braços ou pernas.
- Convulsões.
"Esses sinais podem indicar sangramentos intracranianos que nem sempre aparecem de forma imediata. Às vezes, o paciente passa horas ou até dias aparentemente bem antes de apresentar uma piora neurológica", explicou Dr. Espíndola, enfatizando a importância do monitoramento contínuo.