Comissão Estadual ouvirá trabalhadores que denunciaram condições análogas à escravidão em SC
Trabalhadores denunciam condições análogas à escravidão em SC

Comissão Estadual investiga denúncias de condições análogas à escravidão em Santa Catarina

A Secretaria Municipal de Direitos Humanos de Timon, localizada a aproximadamente 450 quilômetros de São Luís, no Maranhão, prepara-se para receber, na próxima segunda-feira (2), um grupo de 16 trabalhadores que denunciaram condições de trabalho degradantes durante a colheita de maçãs em Santa Catarina. Uma Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo está acompanhando o caso de perto, com o objetivo de apurar as alegações e garantir a proteção dos direitos dos envolvidos.

Depoimentos individuais e possíveis ações judiciais

Cada trabalhador será ouvido individualmente pela comissão, em um processo que visa coletar informações detalhadas sobre as experiências vividas. Os depoimentos e documentos reunidos durante essas audiências poderão servir como base para ações administrativas e judiciais, caso as irregularidades sejam confirmadas. Segundo as denúncias, a empresa em questão é uma das principais exportadoras de maçã do país, e os trabalhadores afirmam que, anualmente, ela recruta mão de obra do Nordeste para atuar na colheita.

As investigações preliminares indicam que não é a primeira vez que surgem questionamentos sobre as condições de trabalho oferecidas pela empresa. A comissão fará um acompanhamento rigoroso do caso, emitindo um parecer social e fornecendo uma resposta formal aos trabalhadores que relataram situações análogas à escravidão. Um relatório completo será elaborado para verificar possíveis violações de direitos, e, após a análise, a comissão definirá as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos.

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Condições de saúde e relatos dos trabalhadores

Os 16 trabalhadores chegaram a Timon na sexta-feira (27) e passaram por avaliações de saúde, atendimentos médicos e acompanhamento psicossocial. O grupo denunciou condições de trabalho degradantes, problemas na alimentação e dificuldades para receber atendimento médico adequado enquanto estavam em Santa Catarina.

Um dos trabalhadores, Talisson Conceição de Carvalho, relatou que muitas pessoas adoeceram durante o trabalho, com alguns chegando a cuspir sangue devido à exposição à amônia. Ele também afirmou que parte do grupo retornou ao Maranhão sem ter seus direitos garantidos. “A gente foi induzido, a gente foi enganado em questão de salário, em questão de serviço, em questão do tratamento, né, o serviço, pode até falar assim, qualquer trabalho a gente faz para poder ganhar dinheiro, mas o destrato, o descaso e a falta de empatia que eles tiveram com a gente, nem na cadeia não está sendo tratado dessa forma”, declarou Talisson Carvalho.

Posicionamento da empresa e contexto de fiscalização

Em resposta às acusações, a Empresa Fischer Agroindústria informou que, durante o período da safra, realiza a contratação de mão de obra de outros estados e que, ao longo dos anos, não há registro de relatos semelhantes aos apresentados. A empresa afirmou ainda que cumpre rigorosamente a legislação trabalhista e está em conformidade com os órgãos públicos de fiscalização.

Este caso ocorre em um contexto mais amplo de preocupação com a segurança e os direitos dos trabalhadores rurais. Recentemente, um acidente envolvendo um ônibus com trabalhadores rurais na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), no interior de São Paulo, resultou em sete mortes e 45 feridos, destacando os riscos enfrentados por essa população. A Polícia Rodoviária Federal atribuiu o acidente ao estouro de um pneu, que levou o motorista a perder o controle do veículo.

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