Piauí afasta 57 crianças do trabalho infantil em 2025, mas mais de 1,6 milhão seguem exploradas no Brasil
Piauí afasta 57 crianças do trabalho infantil em 2025

Piauí afasta 57 crianças do trabalho infantil em 2025, mas cenário nacional ainda preocupa

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta segunda-feira dados alarmantes sobre o trabalho infantil no Brasil. No Piauí, 57 crianças e adolescentes foram afastados de situações de exploração laboral em 2025, um número que coloca o estado como o terceiro com menor índice de afastamentos na região Nordeste.

Contexto regional e nacional

Os números do Piauí ficaram atrás apenas do Rio Grande do Norte, com 42 casos, e da Paraíba, com 43 crianças afastadas. No entanto, o panorama nacional é ainda mais grave, com mais de 1,6 milhão de crianças envolvidas em trabalho infantil, segundo estimativas recentes.

O MTE destacou o fortalecimento do Grupo Especial Móvel de Combate ao Trabalho Infantil (GMTI), que conta com uma equipe fixa de fiscalização e atua em todos os estados do país. O grupo garante o afastamento imediato das vítimas e o encaminhamento delas à rede de proteção social, assegurando acesso a direitos fundamentais e a serviços públicos essenciais.

Dados históricos e perfil das vítimas no Piauí

Em 2019, o projeto Crianças Livres do Trabalho Infantil apontou que 51.803 piauienses estavam em situação de trabalho infantil. Entre as vítimas de 5 a 17 anos, 25,1% exerciam alguma das piores formas de trabalho infantil, como atividades perigosas que colocam em risco a saúde e o desenvolvimento.

Do total de crianças exploradas naquele ano, 33.277 eram meninos e 18.526, meninas. A distribuição por faixa etária revela um cenário preocupante:

  • 5,2% tinham entre 5 e 9 anos de idade
  • 22,7% estavam na faixa de 10 a 13 anos
  • 31,8% tinham entre 14 e 15 anos
  • 40,3% estavam na faixa de 16 a 17 anos

Esses dados mostram que a exploração laboral afeta crianças de todas as idades, com um aumento significativo na adolescência.

Como denunciar casos de trabalho infantil

Para combater essa realidade, é crucial que a sociedade se mobilize. Denúncias podem ser feitas através de vários canais:

  1. Disque 100, serviço nacional de proteção a direitos humanos
  2. Sistema Ipê, específico para denúncias de trabalho infantil
  3. Ministério Público do Trabalho
  4. Conselho Tutelar da região onde a criança ou adolescente se encontra

A fiscalização e a denúncia são ferramentas essenciais para proteger as crianças e garantir seu direito à infância e à educação.

Embora os afastamentos no Piauí em 2025 representem um avanço, os números históricos e a magnitude do problema em nível nacional indicam que muito ainda precisa ser feito para erradicar o trabalho infantil no Brasil.