Mulheres gaúchas superam preconceitos e conquistam espaço em profissões historicamente masculinas
Mulheres gaúchas superam preconceitos em profissões masculinas

Mulheres gaúchas superam preconceitos e conquistam espaço em profissões historicamente masculinas

Cada vez mais mulheres ocupam posições em profissões que, durante décadas, foram dominadas por homens no Rio Grande do Sul. As profissionais que atuam nesses ambientes relatam desafios significativos, mas também histórias de superação que estão transformando a cultura de seus setores de atuação.

Coordenadora de obras impõe respeito com atitude firme

A coordenadora de obras Regina de Moura Tavares, com aproximadamente duas décadas de experiência na construção civil, precisou adotar postura firme para garantir respeito em seu ambiente de trabalho. Ela relata que enfrentou resistência de homens que não aceitavam receber ordens de uma mulher.

"Eu peguei o capacete, o boné e mandei toda a equipe embora. Se vocês não têm capacidade de respeitar uma mulher, então vocês não respeitam nem a própria mulher de vocês, que também são mães e trabalhadoras. Eu demiti todos", conta Regina sobre um episódio marcante de sua carreira.

Segundo a profissional, essa atitude representou um divisor de águas em sua trajetória. "A partir dali eles começaram a me respeitar", afirma. Regina destaca que a persistência foi fundamental para sua permanência na profissão: "Tem que ter muita coragem, persistência, força de vontade e não ter medo".

Quando iniciou na construção civil, o cenário era ainda mais restritivo. "A mulher não tinha muito contato com ferramentas, com enxada, com colher de pedreiro, com tintas. Era um mundo muito masculino", recorda. Além das dificuldades profissionais, ela conciliava o trabalho com a maternidade: "Não foi fácil. Como mulher, como mãe, eu tinha filhos pequenos. Eu largava meus filhos no colégio e vinha para as obras. Eu puxava tijolo, mexia em betoneira, máquinas pesadas".

Motorista de ônibus enfrenta desconfiança inicial

A motorista de ônibus Cristiane Silva Cardoso, que transporta passageiros há mais de dez anos em Cachoeirinha, também relata ter enfrentado desconfiança no início de sua carreira. "No começo tu sente um pouco de preconceito. As pessoas duvidam que tu vá conseguir dirigir um ônibus", afirma.

Apesar dos desafios, Cristiane se declara realizada com sua escolha profissional. "É uma profissão que eu gosto. Eu sempre falo: eu faço o que eu gosto". Para ela, a jornada feminina exige maior determinação: "A mulher tem que ter um pouco mais de persistência do que o homem porque tem mais desafio. Mas não é impossível".

Engenheira coordena obras de recuperação após enchentes

A presença feminina também avança em áreas técnicas da infraestrutura. A engenheira Giuliana Ferraro, da concessionária CCR ViaSul, coordenou as obras de recuperação da ponte sobre o Rio Taquari, na BR-386, após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul. Sua função é garantir que os projetos sejam executados dentro do prazo e com total segurança.

"O meu dia a dia é no campo mesmo", explica Giuliana, destacando a natureza prática de seu trabalho. A engenheira observa uma transformação positiva no ambiente profissional: "Nós temos diversas colegas mulheres. Antigamente tinha um pouco de preconceito contra o sexo feminino. Hoje em dia as coisas já estão mudando, a gente é muito mais aceita".

Mensagem de incentivo para novas gerações

Para as mulheres que desejam seguir carreira em áreas tradicionalmente masculinas, Cristiane deixa um recado encorajador: "Nós mulheres temos força, somos guerreiras. É só a gente querer que a gente consegue. Se der medo, vai com medo mesmo".

As histórias dessas profissionais gaúchas ilustram não apenas os obstáculos enfrentados por mulheres em ambientes profissionais historicamente masculinos, mas também a transformação gradual que está ocorrendo no mercado de trabalho. Suas experiências demonstram que, com determinação e persistência, é possível superar preconceitos e conquistar espaço em qualquer profissão.

O aumento da presença feminina nesses setores representa um avanço significativo na busca por igualdade de oportunidades profissionais, contribuindo para a diversificação e enriquecimento dos ambientes de trabalho em todo o estado do Rio Grande do Sul.