Oito Bolivianos Resgatados de Trabalho Análogo à Escravidão no Brás, São Paulo
Bolivianos resgatados de trabalho escravo no Brás, SP

Operação Resgata Oito Trabalhadores Bolivianos de Condições Análogas à Escravidão no Brás

Uma ação conjunta realizada na última sexta-feira (3) pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM) do Ministério do Trabalho e Emprego, com participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Defensoria Pública da União (DPU), resgatou oito trabalhadores bolivianos de condições análogas à escravidão em São Paulo. Os indivíduos estavam inseridos na cadeia de fornecimento de uma empresa de confecção de roupas localizada no tradicional bairro do Brás, região central da capital paulista.

Condições Degradantes e Violações Trabalhistas

Durante a operação no local de produção e alojamento, os auditores fiscais constataram um conjunto grave de violações que caracterizam trabalho em condição análoga à de escravo. As irregularidades identificadas incluem:

  • Jornada exaustiva, com horas de trabalho excessivas e sem descanso adequado.
  • Condições degradantes de moradia e trabalho, com ambientes insalubres e precários.
  • Falta de registro formal dos trabalhadores, negando direitos básicos como carteira assinada.

Segundo o Ministério Público do Trabalho, todos os resgatados são de nacionalidade boliviana, evidenciando a vulnerabilidade de imigrantes em situações de exploração laboral.

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Audiência Emergencial e Assinatura do TAC

Após o resgate, os trabalhadores compareceram à sede da Superintendência do Ministério do Trabalho e Emprego em São Paulo nesta quarta-feira (11) para uma audiência emergencial. Durante o ato, foram pagas as primeiras parcelas dos créditos trabalhistas devidos, incluindo pagamento integral em espécie para aqueles sem acesso a chave PIX.

Na mesma ocasião, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a empresa envolvida. A organização concordou em regularizar toda a sua cadeia produtiva e cumprir integralmente as obrigações estabelecidas, o que permitiu o encerramento das investigações sobre o caso. A Defensoria Pública da União esteve representada pelo defensor público federal Fernando de Souza Carvalho e pelos auditores fiscais do GEFM.

Medidas do Termo de Ajuste de Conduta

O TAC assinado prevê quatro medidas principais para reparação e prevenção:

  1. Pagamento de R$ 137.990,53 em créditos trabalhistas e rescisórios aos oito trabalhadores, divididos em 13 parcelas entre março de 2026 e março de 2027.
  2. Indenização individual de R$ 3 mil por dano moral a cada um dos resgatados.
  3. Proibição de contratar ou subcontratar oficinas que submetam trabalhadores a condições previstas no artigo 149 do Código Penal, com obrigação de fiscalizar a cadeia produtiva. A empresa deve implementar auditoria da cadeia em até 30 dias e enviar relatórios de monitoramento ao MPT a cada 90 dias durante 12 meses.
  4. Pagamento de R$ 30 mil por dano moral coletivo, em cinco parcelas mensais, destinados a projeto ou entidade indicada pelo MPT.

O descumprimento das obrigações pode resultar em multas significativas, incluindo R$ 20 mil por cláusula violada, acrescida de R$ 1 mil por trabalhador afetado e multa diária de R$ 500 em casos de prazos não cumpridos.

Impacto e Reflexões sobre o Caso

Este caso destaca a persistência de práticas de trabalho análogo à escravidão no Brasil, especialmente em setores como a confecção, onde cadeias produtivas complexas podem ocultar violações. A atuação coordenada dos órgãos públicos demonstra a importância da fiscalização móvel e de mecanismos como o TAC para garantir reparação aos trabalhadores e responsabilizar empresas.

A situação dos bolivianos resgatados no Brás serve como alerta para a necessidade de políticas mais robustas de proteção a imigrantes e de combate à exploração laboral em centros urbanos. A regularização da cadeia produtiva, conforme acordado no TAC, é um passo crucial, mas a efetividade dependerá do monitoramento contínuo e da aplicação rigorosa das penalidades em caso de descumprimento.

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