Ministra Sônia Guajajara critica marco temporal em desfile da Gaviões da Fiel
Guajajara critica marco temporal na Gaviões da Fiel

Ministra Sônia Guajajara critica marco temporal em desfile da Gaviões da Fiel

A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, utilizou o palco do desfile da escola de samba Gaviões da Fiel, realizado neste sábado (14) no Sambódromo do Anhembi, para criticar veementemente o marco temporal e defender a garantia dos territórios indígenas. A presença da ministra foi um dos momentos mais marcantes do desfile, que apresentou o samba-enredo “Defesa dos povos indígenas: mistura da ancestralidade, espiritualidade e resistência”.

Presença política no carnaval

Guajajara ocupou o último carro alegórico da agremiação, que transmitiu uma mensagem clara sobre a necessidade de ouvir e respeitar os povos originários em sua sabedoria e vivência. “A Gaviões traz uma referência também ao marco temporal, falando que o marco do futuro é Pindorama, ou seja, terra indígena garantida, povos indígenas cuidando, vivendo com liberdade nos seus territórios”, afirmou a ministra em entrevista ao g1.

Ela destacou que, em um contexto onde o marco temporal busca impedir a demarcação de terras indígenas, a escola de samba abordou o tema de forma positiva, promovendo a proteção dos povos e territórios. “A gente está aqui para trazer a pauta indígena para o centro do carnaval também, não como fantasia, mas trazendo a nossa história, nossas trajetórias de luta”, declarou Guajajara, enfatizando a importância de reflorestar os pensamentos e fortalecer a ocupação dos povos indígenas em espaços estratégicos, incluindo cargos políticos.

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O que é o marco temporal?

O marco temporal é uma tese que estabelece outubro de 1988 como a data limite para a demarcação de terras indígenas no Brasil. Em dezembro do ano passado, o Senado Federal aprovou uma proposta para incluir essa tese na Constituição, mas ela ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados antes de se tornar lei.

De acordo com o texto, os povos indígenas só poderão reivindicar a posse de áreas que ocupavam de forma permanente em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição. Na prática, comunidades que não conseguirem comprovar sua presença nas terras nessa data correm o risco de serem expulsas.

Conflito entre poderes

Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou inconstitucional a aplicação do marco temporal para demarcar territórios indígenas. No entanto, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei que validava justamente esse argumento, criando um impasse jurídico. Dias depois, o STF invalidou novamente o uso do marco temporal como critério para demarcação.

Se a mudança na Constituição for aprovada e começar a valer, ela poderá ser alvo de novos questionamentos no Supremo. Nesse caso, os ministros do STF terão que analisar se a alteração respeita as chamadas cláusulas pétreas, que são direitos fundamentais que não podem ser vulnerabilizados.

O desfile da Gaviões da Fiel, portanto, não foi apenas uma celebração cultural, mas um ato político significativo, colocando a luta indígena em evidência durante um dos maiores eventos populares do país.

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