Sônia Guajajara permanece internada e terá alta nesta quinta-feira
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), continuará internada nesta quarta-feira (25) no Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP), com alta prevista para quinta-feira (26) no período da manhã. A informação foi confirmada pela assessoria do hospital, que explicou a decisão médica.
Condição de saúde e atendimento médico
De acordo com o comunicado oficial, o cardiologista Sérgio Timerman optou por manter a ministra mais um dia para acompanhamento clínico, mas destacou que ela está bem e receberá alta no primeiro horário de quinta-feira. Guajajara foi hospitalizada no sábado (21) após apresentar mal-estar, febre alta e dor abdominal, sintomas que levaram à internação imediata.
O atendimento está sendo conduzido por uma equipe especializada, liderada pelo cardiologista Sérgio Timerman e pelo infectologista Rinaldo Focaccia Siciliano, garantindo cuidados abrangentes para a recuperação completa da ministra.
Contexto político e transição ministerial
A internação ocorre em um momento significativo da trajetória política de Sônia Guajajara. Na sexta-feira (20), ela anunciou oficialmente que deixará o cargo de ministra para disputar a reeleição como deputada federal por São Paulo. Segundo seu planejamento, o último dia à frente do Ministério dos Povos Indígenas (MPI) será 30 de março.
Com a saída de Guajajara, Eloy Terena, atual secretário-executivo do ministério e número dois da pasta, está previsto para assumir interinamente a liderança da pasta, garantindo continuidade nas políticas públicas em andamento.
Legado e conquistas na gestão
Em entrevista recente, a ministra refletiu sobre sua gestão e os desafios enfrentados nos últimos três anos. Ela destacou como principais conquistas:
- A retomada da demarcação de terras indígenas, com processos que estavam paralisados;
- A desintrusão de invasores de territórios tradicionais;
- O posicionamento da pauta indígena no centro do debate público e das políticas governamentais.
Sônia Guajajara expressou perplexidade com a paralisação histórica das demarcações, que envolve um impasse jurídico entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional. Enquanto o STF rejeitou por maioria o marco temporal, o Congresso aprovou legislação sobre o tema, criando tensões institucionais.
Avance nas políticas territoriais
O Ministério dos Povos Indígenas foi criado em janeiro de 2023, no início do terceiro governo Lula (PT), com o objetivo de elevar a questão indigenista ao primeiro escalão do Executivo. A pasta assumiu a gestão direta de políticas de demarcação e proteção de povos isolados, beneficiando aproximadamente 1,7 milhão de pessoas de 305 etnias.
Um dos avanços mais significativos destacados por Guajajara foi na área territorial, com a homologação de 20 terras indígenas nos últimos três anos. Esse número supera amplamente o total da década anterior, que registrou apenas 11 homologações.
Cronograma de homologações recentes
O processo de retomada das demarcações teve início em 2023, com seis áreas oficializadas em abril daquele ano:
- Arara do Rio Amazônia (AC)
- Kariri Xocó (AL)
- Rio dos Índios (RS)
- Tremembé da Barra do Mandaú (CE)
- Uneiuxi (AM)
- Ava Canoeiro (GO)
Em setembro do mesmo ano, foram homologadas as terras indígenas Rio Gregório (AC) e Acapuri de Cima (AM). Em 2024, as ações contemplaram as TIs Cacique Fontoura (MT) e Aldeia Velha (BA) em abril, além de Potiguara de Monte-Mor (PA), Morros dos Cavalos (SC) e Toldo Imbu (SC) em dezembro.
Já em 2025, o Ceará recebeu três novas áreas homologadas em agosto durante a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas: Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas. Em novembro, durante a COP 30 em Belém, houve a homologação de quatro territórios: Kaxuyana-Tunayana (PA/AM), Parecis (MT), Uirapuru (MT) e Manoki (MT).
A saúde de Sônia Guajajara segue sendo monitorada de perto, enquanto seu legado no Ministério dos Povos Indígenas já mostra impactos concretos na proteção e promoção dos direitos constitucionais das comunidades tradicionais brasileiras.



