Sônia Guajajara tem alta hospitalar prevista para esta quarta-feira após internação
A ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara (PSOL), continua internada com quadro de saúde estável e apresentando boa evolução clínica, conforme informações divulgadas pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (InCor-HCFMUSP). De acordo com a assessoria do hospital, não será emitido boletim médico nesta terça-feira (24), mas a previsão é que a ministra receba alta na quarta-feira (25).
Internação ocorreu após sintomas de mal-estar
Guajajara foi hospitalizada no sábado (21) após apresentar mal-estar, febre alta e dor abdominal. O atendimento médico está sendo conduzido pelo cardiologista Sérgio Timerman e pelo infectologista Rinaldo Focaccia Siciliano, que acompanham de perto a recuperação da ministra. A internação ocorre em um momento de transição política importante para a parlamentar.
Transição política e saída do ministério
Na sexta-feira (20), Sônia Guajajara anunciou oficialmente que deixará o cargo de ministra para disputar a reeleição como deputada federal por São Paulo. Segundo ela, o último dia à frente da pasta deve ser 30 de março. Eloy Terena, secretário-executivo do ministério e número dois na hierarquia da pasta, deve assumir interinamente as responsabilidades do cargo.
Em entrevista recente, a ministra fez um balanço de sua gestão e destacou os principais desafios enfrentados nos últimos três anos, incluindo o enfrentamento com movimentos indígenas. "Eu acho que [o legado] é a retomada da demarcação das terras indígenas, a desintrusão de invasores dos territórios, mas eu acho que, sobretudo, é trazer a pauta indígena para a centralidade do debate público, para a centralidade da política pública", afirmou Guajajara.
Contexto do Ministério dos Povos Indígenas
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) foi criado em janeiro de 2023, no início do terceiro governo Lula (PT), com o objetivo de elevar a questão indigenista ao primeiro escalão do Executivo. Esta foi uma promessa de campanha do presidente, buscando garantir os direitos constitucionais de aproximadamente 1,7 milhão de pessoas pertencentes a 305 etnias diferentes, assumindo a gestão direta de políticas de demarcação e a proteção de povos isolados.
Sônia Guajajara destacou um avanço significativo nas políticas territoriais durante sua gestão, com a homologação de 20 terras indígenas nos últimos três anos. Este balanço supera amplamente o total da década anterior, que registrou apenas 11 homologações.
Cronograma de retomada das demarcações
Segundo o ministério, o cronograma de retomada das demarcações teve início em 2023, com seis áreas oficializadas em abril daquele ano:
- Arara do Rio Amazônia (AC)
- Kariri Xocó (AL)
- Rio dos Índios (RS)
- Tremembé da Barra do Mandaú (CE)
- Uneiuxi (AM)
- Ava Canoeiro (GO)
Em setembro do mesmo ano, foram homologadas as terras indígenas Rio Gregório (AC) e Acapuri de Cima (AM). Em 2024, as ações contemplaram as TIs Cacique Fontoura (MT) e Aldeia Velha (BA) em abril, além de Potiguara de Monte-Mor (PA), Morros dos Cavalos (SC) e Toldo Imbu (SC) em dezembro.
Em 2025, o Ceará recebeu três novas áreas homologadas em agosto (Pitaguary, Lagoa Encantada e Tremembé de Queimadas), durante a 1ª Conferência Nacional das Mulheres Indígenas. Em novembro, durante a COP 30 em Belém, houve a homologação de quatro territórios: Kaxuyana-Tunayana (PA/AM), Parecis (MT), Uirapuru (MT) e Manoki (MT).
Impasses jurídicos e políticos
A ministra também comentou sobre os desafios enfrentados, incluindo a paralisação de demarcações que tem como pano de fundo o impasse jurídico entre Supremo Tribunal Federal (STF) e Congresso Nacional. Enquanto os ministros do Supremo negaram por maioria o marco temporal, o Congresso aprovou lei sobre o tema, criando um cenário complexo para a implementação das políticas indigenistas.
Com a saúde em recuperação e a transição política em curso, Sônia Guajajara se prepara para um novo capítulo em sua carreira política, enquanto deixa um legado marcado pelo avanço nas demarcações territoriais e pela centralização da pauta indígena no debate público nacional.



