Sadi: o que esperar da sabatina de Messias e seu papel no STF
Sadi: expectativas para Messias no STF

O ministro Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União (AGU), enfrenta uma sabatina longa e uma votação apertada para conquistar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira, 29. O comentário foi feito no programa Bom Dia Brasil e pode ser conferido acima.

Risco de derrota, mas aprovação é provável

Embora exista a possibilidade de derrota na votação do plenário do Senado, essa hipótese é considerada remota. Interlocutores do governo Lula e do próprio STF acreditam que a aprovação será concretizada. Messias precisa do apoio de pelo menos 41 dos 81 senadores, ou seja, a maioria absoluta. Para efeito de comparação, seu amigo André Mendonça, ex-ministro de Jair Bolsonaro, foi aprovado com 47 votos em 2021. O mesmo número foi alcançado por Flávio Dino em 2023.

Indicação polêmica e campanha de votos

Lula anunciou a indicação de Messias em novembro de 2025, o que gerou descontentamento no presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Foram necessários cinco meses até que o presidente oficializasse a indicação, aguardando um momento mais favorável. Nos últimos dias, Messias e seus aliados intensificaram a campanha para conquistar votos. O ministro se reuniu com Alcolumbre, mas não obteve a promessa de que ele trabalharia ativamente pela aprovação.

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Em declaração recente, Messias afirmou: "Minha identidade é evangélica, mas tenho clareza de que o Estado é laico".

O papel de Messias no STF

Além do placar da votação, há grande expectativa sobre o papel que Messias pretende desempenhar no STF, caso seja confirmado. Segundo interlocutores, ele se posiciona como uma espécie de "pacificador". A avaliação é de que o tribunal vive um momento de desgaste de imagem e tensões internas, e Messias chegaria com a proposta de fazer a interlocução entre diferentes alas.

Ele mantém relações com ministros indicados por governos distintos, como Cristiano Zanin (escolhido por Lula) e André Mendonça (indicado por Bolsonaro), o que reforça sua capacidade de transitar entre grupos. A intenção dele, de acordo com aliados, é não se vincular formalmente a nenhum bloco. Atualmente, embora não existam divisões oficiais, há grupos informais dentro do STF, e Messias quer evitar esse alinhamento.

Na prática, interlocutores reconhecem que seu histórico aponta para uma linha mais garantista, com posições que, em vários momentos, se aproximam das defendidas por ministros como Gilmar Mendes.

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