Justiça suspende contrato da Gathi em transporte escolar rural de Uberaba por suspeita de fraude
Justiça suspende contrato da Gathi em transporte escolar de Uberaba

Justiça suspende contrato da Gathi em transporte escolar rural de Uberaba por suspeita de fraude

A Prefeitura de Uberaba divulgou uma nota oficial nesta terça-feira (24) informando que, por decisão da 3ª Vara Criminal da Comarca de Uberaba, as atividades da empresa Gathi Gestão, Transportes e Serviços Ltda foram suspensas em relação ao contrato do transporte escolar rural. A medida ocorre no âmbito da operação 'Todas por Uma', que apura indícios de irregularidades no processo licitatório que totalizou pouco mais de R$ 72 milhões.

Serviço mantido para não prejudicar estudantes

Segundo o município, a nova decisão judicial não provoca interrupção nas aulas nem no trajeto dos estudantes, já que a Justiça reconheceu a necessidade de manter a estabilidade do serviço público. Com isso, a empresa Ubervan permanece responsável pela prestação do transporte escolar rural, garantindo o atendimento às comunidades até a conclusão do processo.

A Secretaria Municipal de Educação segue com a fiscalização do serviço e notificará formalmente a Ubervan para atender as áreas rurais onde há problemas no cumprimento das rotas. Caso não haja regularização imediata, poderão ser aplicadas penalidades previstas em contrato.

Entenda a decisão judicial

A suspensão das atividades da empresa Gathi atendeu a um pedido do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que apontou indícios da prática de crimes como:

  • Falsidade ideológica
  • Fraude ao caráter competitivo de licitação

Na decisão, o juiz Marco Antônio Macedo Ferreira considerou que há elementos que indicam que a empresa teria alterado informações para se habilitar no certame e atuado para comprometer a concorrência. O magistrado também destacou que a suspensão é necessária porque a atividade econômica estaria diretamente ligada às supostas irregularidades investigadas.

Operação 'Todas Por Uma'

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e de Forças Policiais de Minas Gerais e São Paulo, deflagrou no dia 18 de novembro de 2025 a operação 'Todas Por Uma'. O objetivo é desarticular um esquema de fraude em processo licitatório de transporte escolar rural em Uberaba.

Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em Minas e São Paulo, com quatro alvos em três endereços em Uberaba. Foram bloqueados:

  1. Imóveis e veículos dos investigados que somam cerca de R$ 12 milhões
  2. Documentos, computadores, celulares e outras evidências

Segundo o promotor de justiça Eduardo Fantinati, a ação foi pensada junto com a Controladoria Geral do Município de Uberaba para ser no final do ano, assim o impacto deve ser menor na comunidade escolar.

Como funcionava o esquema investigado

A denúncia anônima que levou aos primeiros indícios de fraude no transporte escolar rural de Uberaba chegou pela ouvidoria do Ministério Público. Alguns meses depois, o MP recebeu uma denúncia formal de uma empresa que concorreu na mesma licitação.

"Nessa denúncia já trazia vários elementos que confirmavam a suspeita como demonstração de coincidências de vínculos, contador em comum de empresas concorrentes, empresas participando em licitação sendo representadas pelos sócios-administradores de empresas que seriam concorrentes", explicou o promotor Eduardo Fantinati.

O Ministério Público aprofundou as investigações e confirmou os indícios de falsidade ideológica envolvendo as alterações societárias dessas empresas que estariam coligadas para fraudar o caráter competitivo do pregão em Uberaba.

Empresas com ligações entre si

As três empresas que ficaram classificadas em primeiro, segundo e terceiro lugar no pregão eletrônico 44/2024 de Uberaba teriam ligações entre si e teriam agido juntas para que uma delas ficasse com o contrato.

"A primeira e a segunda têm vínculos fortes. O administrador da terceira colocada foi representante da primeira colocada em outras licitações no estado de São Paulo em anos anteriores. Foi levantado também parentesco entre os sócios e a sede declarada da terceira colocada é uma garagem de apoio da primeira colocada", contou o promotor.

A segunda colocada seria uma empresa de fachada e não teria condições de prestar o serviço.

Próximos passos da investigação

"A investigação será concluída no menor prazo possível para levar ao poder judiciário, a quem cabe essa conclusão com base em provas. Por enquanto trabalhamos com indícios porque nós tínhamos acesso ilimitado às informações que nos permitiram deflagrar a operação para fazer esse aprofundamento", explicou o promotor.

Aproximadamente 40 policiais participaram das diligências, juntamente com delegados e promotores de Justiça. As outras cidades com mandados expedidos foram todas do estado de São Paulo: Cravinhos, Araraquara, Vargem Grande Paulista, Cotia e Guarulhos.

Posicionamento da Prefeitura de Uberaba

O transporte rural de estudantes em Uberaba atende 1,5 mil alunos e, segundo a promotoria, o serviço será mantido, por enquanto, para não prejudicar os estudantes. A Prefeitura enviou uma nota sobre a operação destacando que:

  • A decisão judicial não causa qualquer interrupção nas aulas ou no trajeto dos alunos
  • A Ubervan permanece à frente da prestação de serviços do transporte escolar rural
  • A Secretaria de Educação continua com trabalho intenso de fiscalização
  • Até o momento não há indícios de participação ilícita de servidores públicos municipais no esquema investigado

As investigações também contaram com a participação da Controladoria-Geral do Município de Uberaba, que forneceu dados técnicos e documentos considerados essenciais para esclarecer os fatos. A apuração ocorre em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação.