Justiça de Santos arquiva inquérito contra vereador acusado por delegada de perseguição
Justiça arquiva inquérito contra vereador de Santos por perseguição

Justiça de Santos arquiva processo contra vereador após denúncia de delegada

A Justiça da comarca de Santos, localizada no litoral paulista, determinou o arquivamento definitivo de um inquérito policial que havia sido instaurado a pedido da delegada Raquel Gallinati contra o vereador Allisson Sales, filiado ao Partido Liberal (PL). O processo investigava os crimes de perseguição, violência psicológica e violação de sigilo funcional, conforme solicitado pela ex-secretária de segurança do município.

Origem do conflito e acusações mútuas

O caso teve início quando o parlamentar publicou em suas redes sociais imagens e o emplacamento de uma viatura da Guarda Civil Municipal (GCM) que estava descaracterizada. Em suas publicações, Allisson Sales questionava publicamente a então secretária sobre um suposto abuso de poder e desvio de finalidade, alegando que Raquel Gallinati estaria utilizando o veículo oficial para viagens pessoais à capital paulista.

Em resposta, a delegada afirmou ao g1 que utilizava a viatura de forma totalmente legal para compromissos profissionais, explicando que o veículo estava descaracterizado devido a ameaças de morte que havia recebido naquele período. Ela argumentou que a exposição do emplacamento pelo vereador comprometeu sua segurança pessoal, o que a levou a solicitar a abertura do inquérito policial.

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Desenvolvimentos processuais e decisão final

O processo já havia recebido manifestação favorável ao arquivamento por parte da Polícia Civil e do Ministério Público em fevereiro deste ano, com base na insuficiência de provas. No entanto, a delegada recorreu da decisão, pedindo revisão pela Procuradoria Geral de Justiça do estado de São Paulo.

Na última sexta-feira (10), o procurador Plínio Antônio Britto manteve o posicionamento pelo arquivamento, destacando em sua manifestação que as evidências coletadas eram insuficientes para sustentar uma ação penal. O magistrado ressaltou que a questão deveria ser tratada na esfera administrativa, através da Corregedoria competente.

Durante as investigações, foi apurado que o vereador teria solicitado a policiais que consultassem dados sobre o percurso da viatura utilizada por Raquel Gallinati, informações obtidas através do emplacamento entre julho de 2024 e abril de 2025. A decisão judicial reconheceu que esses dados foram obtidos de forma ilícita, mas manteve o arquivamento por falta de elementos para ação criminal.

Reações das partes envolvidas

Em nota oficial, o advogado Fernando Barboza Dias, representante da delegada, declarou que a defesa "como sempre acatará e respeitará as decisões tomadas pela Justiça". Ele acrescentou que aguarda o envio dos autos para a Corregedoria e para a Câmara Municipal, expressando expectativa pela continuação das apurações nessas instâncias administrativas.

Por outro lado, o vereador Allisson Sales anunciou que moverá uma nova ação junto ao Ministério Público para obter esclarecimentos adicionais sobre o uso da viatura, argumentando que suas questões não foram adequadamente respondidas através de requerimentos formais anteriores. O parlamentar mantém sua posição de que há necessidade de transparência no uso de veículos oficiais da administração municipal.

O caso exemplifica as tensões políticas que podem surgir entre representantes eleitos e autoridades nomeadas na gestão pública, especialmente em questões envolvendo o uso de recursos municipais e alegações de conduta inadequada. A decisão judicial encerra o aspecto criminal do conflito, mas deixa em aberto possíveis desdobramentos nas esferas administrativa e política.

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