Lewandowski deixa Ministério da Justiça; secretário-executivo assume interinamente
Secretário-executivo assume Ministério da Justiça interinamente

O Ministério da Justiça e Segurança Pública passou por uma mudança repentina em sua liderança nesta semana. O então ministro Ricardo Lewandowski apresentou sua demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alegando motivos de ordem pessoal e familiar para deixar o cargo.

Transição imediata e busca por um novo perfil

Para assumir a pasta interinamente, Lula nomeou o secretário-executivo do ministério, Manoel Carlos de Almeida Neto. A nomeação foi oficializada na edição desta sexta-feira do Diário Oficial da União. Manoel Carlos, que possui uma trajetória no sistema de Justiça, tendo sido secretário-executivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e secretário-geral do Supremo Tribunal Federal (STF), deve ficar no cargo por um período curto.

A movimentação sinaliza uma busca do Palácio do Planalto por um novo direcionamento para a pasta. O presidente Lula está em busca de um ministro com perfil essencialmente político, com grande capacidade de articulação e interlocução junto ao Congresso Nacional. O objetivo é que o novo titular possa destravar pautas de interesse do governo que estão paradas no Legislativo.

Possível desmembramento e nomes na disputa

Um dos cenários em discussão é o desmembramento do atual ministério em duas pastas separadas: Justiça e Segurança Pública. A criminalidade é um tema de alta sensibilidade eleitoral, e a criação de um ministério focado em segurança poderia ser uma jogada estratégica do governo, que mira a reeleição de Lula.

Diversos nomes começaram a circular nos bastidores de Brasília como possíveis sucessores definitivos. Entre os mais mencionados estão:

  • Tarso Genro: Ex-ministro da Justiça no primeiro mandato de Lula (2007-2010) e ex-governador do Rio Grande do Sul. Sua experiência prévia na pasta e seu trânsito político o tornam um forte candidato.
  • Wellington Cesar Lima e Silva: Atual advogado-geral da Petrobras, foi secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil e tem a confiança do presidente.
  • Vinícius Marques de Carvalho: Atual ministro da Controladoria-Geral da União (CGU).
  • Andrei Rodrigues: Diretor-geral da Polícia Federal.
  • Marco Aurélio de Carvalho: Advogado do grupo Prerrogativas.

O nome do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também foi especulado, mas sua definição política ainda está em aberto.

O perfil desejado pelo Planalto

Fontes indicam que Lula deseja para a Justiça um ministro com um perfil similar ao do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, que comandou a pasta entre 2003 e 2007. Além de uma articulação congressual eficiente, Thomaz Bastos era conhecido por sua habilidade em dialogar com o Judiciário e por resolver crises políticas internas.

O presidente tem manifestado, em reuniões, a necessidade de ministros mais proativos e menos "tímidos", que saiam em defesa pública das agendas do governo e façam a necessária costura política. A escolha do próximo titular da Justiça, portanto, vai além de uma simples substituição; é uma peça chave na estratégia política do governo para os próximos anos.