Moraes determina retirada de pedido de Lindbergh para investigar Moro do inquérito das milícias digitais
Moraes retira pedido de Lindbergh para investigar Moro do inquérito

Ministro do STF acata argumento da Procuradoria-Geral em caso que envolve parlamentares

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira, 9 de abril de 2026, a retirada de um pedido do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) do inquérito das milícias digitais. O parlamentar havia solicitado a investigação do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) por declarações consideradas questionáveis sobre a legitimidade da eleição presidencial de 2022.

Fundamento jurídico baseado no monopólio do Ministério Público

Em sua decisão, Moraes seguiu integralmente o parecer técnico da Procuradoria-Geral da República (PGR), que argumentou ser o órgão o único com legitimidade constitucional para propor ação penal ou dar encaminhamento a queixas-crime contra membros do Congresso Nacional. "O princípio do monopólio constitucional da titularidade da ação penal pública no sistema jurídico brasileiro somente permite a deflagração do processo criminal por denúncia do Ministério Público", afirmou o ministro em trecho da decisão.

A PGR havia sido enfática em seu posicionamento, destacando que a notícia-crime apresentada por Lindbergh Farias possuía natureza extrajudicial e foi direcionada incorretamente ao STF. "De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o princípio do monopólio constitucional da titularidade da ação penal pública somente permite a instauração do processo criminal por denúncia do Ministério Público", reforçou o órgão ministerial.

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Contexto da representação e pedidos do deputado

No dia 25 de março, o ex-líder do PT na Câmara dos Deputados apresentou formalmente ao Supremo Tribunal Federal, no âmbito do inquérito das milícias digitais, uma representação contra o senador Sergio Moro. O parlamentar petista alegou que declarações do senador, que é oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, poderiam insinuar que o processo eleitoral de 2022 não foi legítimo.

Entre os pedidos específicos de Lindbergh Farias estavam:

  • Abertura de investigação formal contra Sergio Moro
  • Envio do caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para análise
  • Encaminhamento da questão à Advocacia-Geral da União (AGU)
  • Realização de diversas diligências investigativas

Desentranhamento como solução processual

A Procuradoria-Geral da República solicitou expressamente que o pedido do deputado fosse desentranhado – termo jurídico que significa retirar determinado documento ou solicitação de dentro do processo – e não conhecido, ou seja, não analisado em seu mérito pelo STF. A decisão de Moraes atendeu integralmente a essa solicitação, afastando a possibilidade de o Supremo dar prosseguimento à representação contra o senador oposicionista.

Este caso ilustra uma importante discussão sobre competências institucionais no sistema de justiça brasileiro, reafirmando o papel central do Ministério Público como titular exclusivo da ação penal pública. A decisão mantém a separação de funções entre os Poderes e reforça procedimentos estabelecidos na jurisprudência do próprio STF.

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