Jorge Messias intensifica articulação no Senado para sabatina no STF
Messias articula votos no Senado para sabatina no STF

Jorge Messias intensifica articulação no Senado para sabatina no STF

Na reta final antes da sabatina do Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, tem visitado senadores, preparado-se para responder sobre temas espinhosos e mantém a expectativa de um encontro com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Remarcação da sabatina e estratégias de defesa

Nesta quarta-feira, senadores remarcaram novamente a sabatina, de novo para o dia 29, data originalmente prevista. Eles chegaram a adiantar em um dia o agendamento, mas voltaram atrás. Messias deve defender a senadores que a separação dos Poderes é essencial e que o Judiciário por vezes avança em prerrogativas do Legislativo e do Executivo. Deve afirmar que juízes têm de ter limites e um código de ética para a magistratura seria importante.

A indicação de Lula, anunciada em novembro e enviada ao Senado apenas no último dia 1º, contrariou o presidente da Casa, que passou a trabalhar inicialmente contra a aprovação, condicionada ao aval de ao menos 41 dos 81 senadores. O que Messias e seus aliados conseguiram em quatro meses foi a neutralidade de Alcolumbre, cuja relação com Lula vem melhorando.

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Contagem de votos e apoio político

O grupo ainda conta os votos e diz acreditar que o AGU será aprovado, apesar de a oposição bolsonarista afirmar que não. Aliados também se valem do fato de a votação ser secreta, o que permite a opositores referendarem o nome indicado por Lula. Interlocutores de Messias dizem confiar na habilidade do ministro nas conversas pessoais.

Ele é tido por aliados como alguém bom de diálogo, pacificador e técnico, além de evangélico, o que ajuda entre os conservadores. Nos encontros com senadores, tem apresentado sua história e experiência em cargos públicos para tentar desconstruir a imagem de petista ideológico.

Nesta semana, Messias esteve com opositores como Carlos Portinho e senadores da base governista, principalmente do MDB. O beija-mão já alcançou mais de 75 senadores, e a contagem otimista de votos favoráveis gira em torno de 48.

Relação com Alcolumbre e gestos de apoio

O entorno de Messias pretende que Alcolumbre o receba e que o encontro consolide o entendimento entre eles, já que o indicado não teria mágoas. Para ele, seria natural que o presidente do Senado preferisse seu aliado Rodrigo Pacheco, cujas aspirações ao STF também são vistas como legítimas.

Esse grupo comemorou o que viu como sinais positivos de Alcolumbre, como marcar a sabatina e permitir a peregrinação de Messias na Casa. Apesar de ainda trabalharem por seu apoio, senadores pró-Messias dizem que não podem exigir isso de Alcolumbre, que respeitam sua posição e que já é de grande ajuda que ele não demonstre oposição.

Da mesma forma, gestos de Pacheco, que já elogiou Messias publicamente, também foram lidos como importantes. A avaliação de Messias a pessoas próximas é a de que a torcida pelo senador na Casa era esperada, assim como a frustração, que exige tempo de cura.

Articulação por votos e frentes de apoio

A articulação por votos envolve várias frentes. No STF, a ajuda dada pelos ministros André Mendonça e Nunes Marques foi essencial, segundo aliados. Cristiano Zanin e Gilmar Mendes também tiveram participação. No Senado, Teresa Leitão e Dra. Eudócia, que é evangélica, estão a cargo de convencer a bancada feminina, de 15 membros.

Além dos evangélicos e dos governistas, Messias conta com o apoio do MDB e do PSD. Para ser aprovado, o chefe da AGU deve tentar evitar disputas políticas e a contaminação pelo caso do Banco Master.

Contexto de tensão e discursos opositores

A sabatina ocorre em um momento de alta tensão entre o Senado e o STF, depois do embate em torno de CPIs a respeito de sua prorrogação e do indiciamento de ministros. Discursos de bolsonaristas contra a corte dominaram o plenário nesta semana, com respingos em Messias.

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"Se queremos preservar uma democracia liberal, que permita que haja visões diferentes de mundo, chegou o momento, e a grande resposta que este Parlamento pode dar. [...] Nós precisamos dar um não ao senhor Jorge Messias, a quem eu respeito como cidadão, mas não posso acreditar que ele, dentro do Supremo Tribunal Federal, vá contribuir de alguma forma para melhorar as condições de credibilidade daquela instituição", disse o líder da oposição, Rogério Marinho.

Defesa e preparação para temas difíceis

Defensor de Messias e relator da indicação, Weverton Rocha diz que ele "preenche todos os requisitos". "Tem notório saber jurídico, tem a reputação ilibada e é advogado-geral da União. É uma pessoa jovem que tem uma carreira brilhante", afirmou.

Apesar de esperarem temas difíceis na sabatina, auxiliares de Messias dizem que ele vai evitar cascas de banana e temas como o embate entre Gilmar e Alessandro Vieira. O advogado-geral já tem prontas respostas para questões recorrentes ou controversas.

Para temas delicados, como o Master, a resposta deve ser institucional, no sentido de que o escândalo é grave, mas que a análise deve ser processual, a respeito de provas e autoria, sem pré-julgamento e com ampla defesa. O discurso em relação ao escândalo do INSS, tema de CPI, é de que o esquema foi desbaratado no governo Lula.

Posicionamento sobre aborto e 8 de Janeiro

Messias deve fazer uma defesa do trabalho da AGU, dizendo que o órgão encabeçou a construção da proposta para a devolução dos valores aos afetados ainda em julho passado. Auxiliares do indicado listam entre possíveis assuntos da sabatina o aborto e o 8 de Janeiro.

No primeiro caso, Messias vai defender parecer da AGU de 2024 que opinou pela inconstitucionalidade de uma resolução do CFM que proibia o aborto legal em fetos com mais de 22 semanas. Ele afirma ter uma postura legalista sobre a matéria.

A AGU argumenta que a resolução dificultava, na prática, o aborto legal em casos de estupro e que não cabe ao CFM impor um limite temporal para um procedimento que é direito das mulheres. O texto pretendeu disfarçadamente, diz o parecer, mudar a lei sobre o aborto, o que é uma atribuição do Congresso Nacional.

A respeito da ação golpista na praça dos Três Poderes, Messias tem dito que cumpriu seu papel constitucional ao pedir a prisão em flagrante de quem invadiu e depredou o patrimônio público. As emendas parlamentares, que motivaram ações contra parlamentares no STF, também podem ser discutidas.

Messias já defendeu publicamente a constitucionalidade das emendas, desde que preencham critérios de transparência e eficiência. Para ele, o representante legislativo é aquele que tem mais condições de acessar as demandas da população.

Placar de aprovação de ministros do STF no Senado

  • Flávio Dino: 47 a 31, com 2 abstenções
  • Cristiano Zanin: 58 a 18
  • André Mendonça: 47 a 32
  • Nunes Marques: 57 a 10, com 1 abstenção
  • Alexandre de Moraes: 55 a 13
  • Edson Fachin: 52 a 27
  • Luiz Fux: 68 a 2
  • Dias Toffoli: 58 a 9, com 3 abstenções
  • Cármen Lúcia: 55 a 1
  • Gilmar Mendes: 58 a 15