Zelensky denuncia pressão húngara e acusa Orbán de alinhamento com Putin
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, fez uma declaração contundente a jornalistas no sábado (14), com embargo até esta segunda-feira, revelando que está sendo forçado a restabelecer o oleoduto Druzhba. Segundo ele, o reparo da infraestrutura está diretamente condicionado a um empréstimo de 90 bilhões de dólares, atualmente bloqueado pela Hungria, que seria destinado à compra de armas para o país em guerra.
Acusações de chantagem e sentimento anti-ucraniano
“Disse aos nossos amigos na Europa que isso se chama chantagem”, afirmou Zelensky diante de profissionais da agência francesa Agence France-Presse e outros repórteres. O líder ucraniano não poupou críticas ao governo ultranacionalista do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, acusando-o de difundir um sentimento anti-ucraniano e de utilizar consultores de comunicação russos na campanha eleitoral em curso.
Com as eleições legislativas na Hungria se aproximando, Zelensky deixou claro que a Ucrânia está disposta a trabalhar com qualquer futuro líder húngaro, desde que “essa pessoa não seja um aliado de Putin”. A declaração reflete a tensão crescente entre Kyiv e Budapeste, em um momento crucial para a segurança regional.
Preocupação com o apoio dos Estados Unidos e crise no Oriente Médio
Além das questões com a Hungria, Zelensky expressou séria preocupação com a possibilidade de os Estados Unidos reduzirem seu apoio à Ucrânia devido à crise no Oriente Médio. Desde 28 de fevereiro, os EUA e Israel estão em guerra contra o Irã, um conflito que pode desviar recursos e atenção internacional.
“Esperamos muito que, por causa do Oriente Médio, os Estados Unidos não se afastem da questão da guerra na Ucrânia”, disse o presidente, cujo país enfrenta uma invasão russa desde fevereiro de 2022. Para tentar manter o engajamento norte-americano, a Ucrânia ofereceu sua experiência no uso de drones, demonstrando vontade de ajudar os aliados na região.
Relação complicada com Trump e novas defesas aéreas
A relação com a administração do presidente Donald Trump, no poder desde fevereiro de 2025, tem sido marcada por altos e baixos, principalmente devido à proximidade do líder americano com Vladimir Putin. Recentemente, Trump autorizou temporariamente a venda de petróleo russo já carregado em petroleiros, uma medida que gerou duras críticas da Ucrânia e de nações europeias.
Em meio a essas turbulências, Zelensky anunciou uma boa notícia: a Ucrânia receberá ainda este ano da França um novo sistema de defesa aérea SAMP/T. Este equipamento será testado contra mísseis balísticos russos como uma alternativa ao sistema norte-americano MIM-104 Patriot. Segundo o presidente, esse foi o “tema mais importante” discutido com Emmanuel Macron na última sexta-feira, em Paris, destacando a busca por diversificação no apoio militar.
A Ucrânia continua dependente de apoio financeiro e militar de aliados ocidentais, como a União Europeia, o Reino Unido e os Estados Unidos, para combater as tropas russas. As recentes declarações de Zelensky sublinham os desafios diplomáticos e estratégicos que o país enfrenta em um cenário geopolítico cada vez mais complexo.
