Um mês sem Maduro: Venezuela sob pressão dos EUA adota mudanças radicais
Venezuela muda após captura de Maduro por EUA

Um mês sem Maduro: Venezuela sob pressão dos EUA adota mudanças radicais

Um mês após a operação militar americana que resultou na captura de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, a Venezuela vive um cenário de transformações forçadas. O chavismo, agora liderado pela presidente em exercício Delcy Rodríguez, toma decisões que pareciam inimagináveis poucas semanas atrás, sob a tutela direta de Washington.

Operação militar e captura de Maduro

Caracas, 3 de janeiro de 2026, 1h55 da manhã. Explosões e aviões militares americanos sobrevoam a capital venezuelana, marcando um ataque em grande escala. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na rede Truth Social a captura bem-sucedida de Maduro e Flores, que foram transportados para Nova York. Lá, aguardam julgamento por acusações de narcotráfico e narcoterrorismo, com data marcada para 17 de março.

Mudanças implementadas sob pressão

Desde então, a Venezuela adotou uma série de medidas impostas pelos Estados Unidos, desafiando o legado de mais de 12 anos de governo madurista. Aqui estão as principais alterações:

  1. Libertações da prisão e anistia: As autoridades venezuelanas ordenaram a libertação de centenas de opositores, líderes sindicais e jornalistas detidos. Delcy Rodríguez anunciou uma lei de anistia geral para curar feridas políticas e prometeu fechar o centro de detenção Helicoide, acusado de tortura. Isso contrasta com as declarações anteriores de Maduro, que rejeitava perdões.
  2. Fim da estatização das petroleiras: A reforma da Lei de Hidrocarbonetos reverteu parcialmente a política de estatização de Hugo Chávez, permitindo maior participação privada no setor petrolífero. Trump anunciou que a Venezuela fornecerá petróleo aos EUA, com investimentos previstos, apesar da reticência de empresas como a Exxon Mobil devido a incertezas jurídicas.
  3. Dólar em queda, com alta dos preços: Após a operação, o bolívar perdeu valor frente ao dólar, com disparos no mercado paralelo. Apesar de intervenções governamentais, a inflação permanece alta, e os preços dos produtos básicos continuam a subir, afetando a população venezuelana.
  4. Da insurreição à negociação: Ao contrário das ameaças de Maduro de greve geral, o governo atual optou por dialogar com Washington, reabrindo a Embaixada americana em Caracas. No entanto, críticos internos, como o ex-vice-presidente Elías Jaua, denunciam uma ocupação militar disfarçada, enquanto analistas apontam para uma estratégia de estabilização autoritária.

Reações e perspectivas futuras

As mudanças têm gerado controvérsia dentro do chavismo, com setores acusando o governo de enterrar o legado de Hugo Chávez. Trump emitiu ameaças, alertando que Rodríguez pagará um preço alto se não cooperar. Analistas políticos, como Carmen Beatriz Fernández, destacam que a presidente busca legitimidade através de desempenho, em um contexto de dependência militar americana.

O futuro da Venezuela permanece incerto, com expectativas de que as reformas possam levar a uma transição pacífica e eleições democráticas, sob risco de nova intervenção dos EUA se as diretrizes não forem seguidas.