Trump ameaça OTAN e impõe tarifas após perder Nobel da Paz para venezuelana
Trump reage a perda do Nobel com ameaças e tarifas

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou uma postura de confronto contra aliados históricos após a concessão do Prêmio Nobel da Paz de 2026 à opositora venezuelana Maria Corina Machado. Em uma mensagem direta ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, Trump vinculou a decisão do comitê norueguês ao seu controverso projeto de anexar a Groenlândia, território autônomo dinamarquês.

Mensagem de Trump gera crise diplomática

De acordo com o jornal norueguês VG, que confirmou a veracidade da comunicação, Trump escreveu ao líder norueguês em um tom de represália. "Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter impedido mais de 8 guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas em paz", afirmou o ex-mandatário.

Na mesma mensagem, Trump questionou os direitos da Dinamarca sobre a Groenlândia, argumentando que não existiriam "documentos escritos", apenas o fato de um barco ter atracado lá séculos atrás. A Noruega e a Dinamarca são membros fundadores da OTAN, a aliança militar ocidental, tornando a declaração particularmente sensível.

O episódio ganhou um contorno simbólico quando Maria Corina Machado visitou a Casa Branca e, em um gesto amplamente divulgado, entregou a Trump uma réplica banhada a ouro da medalha do Nobel que havia recebido.

Reações nos EUA e tensão na OTAN

A reação dentro dos Estados Unidos foi imediata e majoritariamente negativa. Uma pesquisa da CNN revelou que 75% dos entrevistados se opõem ao plano de anexação da Groenlândia idealizado por Trump. A oposição também veio de dentro de seu próprio partido, com parlamentares republicanos, incluindo a senadora Lisa Murkowski, viajando ao território ártico para demonstrar solidariedade.

Murkowski alertou para os riscos estratégicos: "Já estamos vendo as consequências dessas medidas em tempo real: nossos aliados da OTAN estão sendo forçados a desviar atenção e recursos para a Groenlândia, uma dinâmica que beneficia diretamente Putin", declarou.

Do lado russo, o assessor de Vladimir Putin, Kirill Dmitriev, advertiu que os países europeus não deveriam "provocar o papai". A embaixada russa na Bélgica, sede da OTAN, emitiu uma nota acusando a aliança de promover uma "militarização acelerada do Ártico" usando como pretexto uma suposta ameaça de Moscou e Pequim.

Impacto econômico e retaliação comercial

As tensões geopolíticas já refletem na economia. Os mercados asiáticos abriram em baixa na segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, com analistas atribuindo a queda ao clima de instabilidade.

Como medida de retaliação direta, Donald Trump impôs tarifas de 10% a vários aliados da Dinamarca. A medida, que deve entrar em vigor em fevereiro e pode subir para 25%, atinge países que participaram de manobras militares na Groenlândia. A lista inclui:

  • Noruega
  • Suécia
  • França
  • Alemanha
  • Reino Unido
  • Holanda
  • Finlândia

A China também entrou no debate, com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, criticando os Estados Unidos: "Instamos os EUA a pararem de usar a chamada 'ameaça chinesa' como pretexto para buscar ganhos egoístas".

O conjunto de ações de Trump—da mensagem ao primeiro-ministro norueguês às tarifas punitivas—reacendeu debates sobre a coesão da OTAN e o futuro das relações transatlânticas, colocando uma questão territorial remota no centro de uma crise internacional de larga escala.