Trump reafirma interesse na Groenlândia e critica Dinamarca em discurso em Davos
Trump quer negociar Groenlândia e critica Dinamarca

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (21) que não pretende utilizar a força para tomar a Groenlândia, mas sim iniciar negociações imediatas para adquirir o território autônomo. A declaração foi feita durante seu esperado discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, onde ele reiterou seu interesse pela ilha ártica.

Groenlândia como ativo estratégico

Trump comentou sua investida sobre a Groenlândia, descrevendo-a novamente como um ativo indispensável para a segurança dos Estados Unidos em caso de um conflito com potências como a Rússia ou a China. "Qualquer guerra seria travada lá", declarou o presidente, enfatizando a importância geopolítica da região.

Críticas à Dinamarca e à Otan

O republicano também expressou insatisfação com a Dinamarca, país que administra a Groenlândia e afirma que o território não está à venda. "Tudo o que eu peço é um pedaço de gelo. É bem menos do que recebemos ao longo dos anos", disse Trump, referindo-se à aliança militar Otan, da qual a Dinamarca é membro fundador.

Ele argumentou que os Estados Unidos contribuíram muito para a Otan e não receberam nada em retorno, sugerindo que a aquisição da Groenlândia seria uma compensação justa. "Nós demos à Otan muito, e não recebemos nada de volta", afirmou.

Contexto histórico e frustrações

Trump lembrou que os Estados Unidos ocuparam a Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial, quando os nazistas tomaram a Dinamarca em 1940, devolvendo o território a Copenhague em 1945. "Foi estúpido", criticou o presidente, acrescentando que "a Dinamarca foi ingrata".

Ele também mencionou uma tentativa anterior dos Estados Unidos de comprar a ilha em 1946, que foi rejeitada pelos europeus. Essa referência histórica serve para justificar seu atual interesse e destacar uma suposta dívida não reconhecida.

Ambições e advertências

Em tom assertivo, Trump deixou claro seu objetivo: "Só queremos esse pedaço de gelo. Se vocês aceitarem, vamos gostar. Se não, vamos nos lembrar". No entanto, ele negou que sua ação vise minar a Otan, tentando equilibrar suas críticas com uma afirmação de apoio à aliança.

Enquanto isso, a Dinamarca tem adotado medidas de precaução, como orientar funcionários do governo a desativar Bluetooth e evitar dispositivos sem fio por temor a ciberataques. Além disso, Copenhague defende uma presença permanente da Otan na Groenlândia, em resposta às ameaças de anexação e às novas tarifas anunciadas por Trump.

Essa situação reflete as tensões geopolíticas em curso, com a Groenlândia no centro de um debate que envolve segurança, história e relações internacionais. O discurso de Trump em Davos reforça sua postura assertiva em questões de política externa, mesmo diante da resistência de aliados tradicionais.