Trump se recusa a pedir desculpas por vídeo racista que associa Obamas a macacos
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recusou-se nesta sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, a pedir desculpas pela divulgação de um vídeo com conteúdo racista que associa o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama a macacos. A publicação, realizada em sua rede social Truth Social, provocou uma forte reação política e levou a Casa Branca a adotar versões contraditórias sobre o episódio, gerando ampla controvérsia.
Justificativas e minimização do conteúdo
Falando com jornalistas a bordo do Air Force One, Trump afirmou que não se considera responsável pelo conteúdo e minimizou a postagem, declarando que não assistiu ao vídeo até o fim antes de autorizá-la. Segundo ele, a gravação teria sido compartilhada por abordar supostas irregularidades nas eleições de 2020 na Geórgia, um tema recorrente em seus discursos desde a derrota para Joe Biden. “Eu vejo milhares de conteúdos todos os dias. Ninguém sabia o que aparecia no final”, disse o ex-presidente.
Trump afirmou ainda que a presença do casal Obama no vídeo seria uma “paródia” e declarou que, embora não tenha gostado do trecho, não considera que tenha cometido um erro ao repassar o material à sua equipe. O vídeo ficou disponível por cerca de 12 horas na Truth Social, plataforma criada pelo próprio Trump, e foi removido apenas após críticas públicas de parlamentares democratas e republicanos.
Conteúdo do vídeo e reações políticas
Em um dos trechos finais, que dura cerca de um segundo, os rostos de Barack e Michelle Obama aparecem sobrepostos a imagens de macacos, ao som da música The Lion Sleeps Tonight. A repercussão política foi imediata e intensa, com diversas figuras públicas condenando a postagem.
- O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, classificou a postagem como “repugnante”.
- O senador Tim Scott, único republicano negro no Senado, afirmou que se trata do conteúdo “mais racista já publicado por esta Casa Branca”.
- Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional no governo Obama, também condenou o episódio, afirmando que Trump será lembrado como “uma mancha na história americana”.
Versões contraditórias da Casa Branca
Inicialmente, a Casa Branca tentou reduzir o impacto do caso. Em comunicado, a porta-voz Karoline Leavitt classificou a gravação como um “meme da internet” e acusou críticos de promoverem “indignação artificial”. Poucas horas depois, porém, o discurso mudou: em declaração à agência Reuters, o governo reconheceu que a publicação foi resultado de um erro cometido por um funcionário.
Um funcionário da Casa Branca disse à agência de notícias AFP que o post foi compartilhado por engano por um membro da equipe e que, por isso, havia sido excluído. A gravação também resgata alegações já desmentidas sobre uma suposta fraude eleitoral envolvendo a empresa Dominion Voting Systems, frequentemente citada por Trump e aliados como parte de teorias conspiratórias sobre o pleito de 2020.
Contexto histórico e silêncio dos Obamas
Barack Obama é o único presidente negro da história dos Estados Unidos e apoiou Kamala Harris, adversária direta de Trump, na eleição presidencial de 2024. Até o momento, o ex-presidente e a ex-primeira-dama não se pronunciaram publicamente sobre o vídeo, mantendo um silêncio que contrasta com a comoção gerada pelo episódio.
O caso destaca as tensões políticas e raciais nos Estados Unidos, com Trump recuando e apagando o vídeo após a repercussão negativa, mas mantendo sua recusa em pedir desculpas, o que pode ter implicações duradouras para sua imagem e para o debate público sobre racismo e responsabilidade nas redes sociais.