Trump questiona aquecimento global durante emergência por tempestade de inverno nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua plataforma Truth Social para questionar publicamente a existência do aquecimento global, em meio a um estado de emergência decretado por vários estados norte-americanos devido à aproximação de uma forte tempestade de inverno. A declaração ocorreu no contexto do lançamento do Conselho da Paz, em 22 de janeiro de 2026, e gerou reações imediatas da comunidade científica internacional.
Declaração polêmica em meio à crise climática
Em sua publicação, Trump escreveu: "Uma onda de frio recorde deve atingir 40 estados. Raramente vimos algo assim antes. Será que os ambientalistas radicais poderiam explicar — O QUE ACONTECEU COM O AQUECIMENTO GLOBAL???". Esta não é a primeira vez que o líder norte-americano emite declarações negacionistas sobre o fenômeno climático. Em 2025, durante discurso na Assembleia Geral da ONU, ele havia classificado a mudança climática como "a maior farsa já perpetrada contra o mundo".
Resposta científica e dados contundentes
Contrariando as afirmações de Trump, especialistas e instituições científicas de renome apresentam evidências robustas sobre a realidade do aquecimento global:
- O observatório climático da União Europeia, Copernicus Climate Change Service, confirmou que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado, com temperatura média global de 14,97 °C — 1,47 °C acima do nível pré-industrial.
- A Nasa aponta que a Terra esteve cerca de 1,47 °C mais quente em 2024 em relação ao final do século XIX.
- Pesquisas mostram que mais de 99% dos especialistas em clima concordam que o aquecimento global é provocado pela ação humana.
Impactos visíveis e urgência climática
O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) classifica o processo como "inequívoco" e sem precedentes em milhares de anos. Entre as evidências mais alarmantes estão:
- Derretimento acelerado de geleiras e redução histórica do gelo no Ártico.
- Elevação do nível do mar em ritmo cada vez mais rápido.
- Concentrações de dióxido de carbono (CO₂) chegando a 422,5 partes por milhão em 2024 — 52% acima dos níveis pré-industriais.
- Emissões globais de combustíveis fósseis batendo recorde de 37,4 bilhões de toneladas.
Especialistas alertam que os impactos já são visíveis globalmente, com mais de 3 bilhões de pessoas vivendo em áreas altamente vulneráveis e metade da população mundial enfrentando escassez severa de água. Eventos extremos como ondas de calor, tempestades e secas tornam-se mais frequentes e intensos — incluindo a própria tempestade de inverno que motivou a declaração de Trump.
Caminhos para a estabilização climática
Apesar dos desafios, o IPCC afirma que ainda é possível estabilizar o aquecimento global em 1,5 ºC ou 2 ºC, metas estabelecidas pelo Acordo de Paris. Para isso, as emissões precisam:
- Atingir o pico imediatamente.
- Cair pela metade até 2030.
- Chegar a zero líquido em 2050.
A cientista Thelma Krug, ex-vice-presidente do IPCC, enfatiza que cortes graduais não serão suficientes — as reduções precisam ser rápidas e profundas. Medidas como reduzir emissões de metano em 50% podem baixar a temperatura global em até 0,2 ºC nas próximas décadas.
Enquanto líderes políticos como Trump questionam a ciência climática, a comunidade científica internacional mantém o alerta sobre a urgência de ações concretas para enfrentar uma das maiores crises ambientais da história humana.