Trump declara incerteza sobre sobrevivência do novo líder supremo do Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (16) não ter conhecimento sobre o estado de saúde do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, que assumiu o poder após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em ataques realizados por EUA e Israel no último dia 28 de fevereiro.
Dúvidas sobre a condição física de Khamenei
Durante entrevista na Casa Branca, Trump revelou que informações da inteligência norte-americana indicam que Mojtaba Khamenei foi gravemente ferido em um ataque aéreo a Teerã e teria perdido uma perna. "Não sabemos... se ele está morto ou não. Devo dizer que ninguém o viu, o que é incomum", declarou o presidente norte-americano.
O republicano acrescentou que "muitas pessoas dizem que ele está gravemente desfigurado" e que existem relatos conflitantes sobre sua condição atual. Desde que assumiu a liderança do Irã, Mojtaba Khamenei não apareceu em público, limitando-se a fazer pronunciamentos por escrito.
Contexto do conflito e sucessão
Mojtaba Khamenei tornou-se o novo líder supremo do Irã após seu pai morrer nos ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel que deram início à atual guerra no Oriente Médio. Trump admitiu durante a entrevista que "não sabemos quem é o líder deles (Irã)" e que há dificuldades em identificar interlocutores para possíveis negociações.
Questionado sobre a possibilidade de grupos de oposição assumirem o poder no país, o presidente norte-americano afirmou que as condições para esses grupos são extremamente difíceis, destacando que o governo iraniano continua reprimindo manifestantes.
Pressão sobre aliados e situação no Estreito de Ormuz
Durante sua fala, Trump voltou a afirmar que os Estados Unidos "destruíram" a capacidade militar do Irã e pressionou aliados internacionais a ajudarem na liberação do Estreito de Ormuz com forças militares. O corredor marítimo foi fechado pelo Irã após os ataques de 28 de fevereiro.
O presidente revelou que seu secretário de Estado, Marco Rubio, anunciará em breve os países que formarão uma coalizão para manter o local aberto à navegação. "Encorajamos veementemente outras nações cujas economias dependem muito mais dessa passagem do que a nossa", argumentou Trump, citando especificamente China, países europeus, Coreia do Sul e Japão.
Negativa iraniana sobre pedido de cessar-fogo
Nesta mesma segunda-feira, o Irã negou categoricamente ter solicitado um cessar-fogo aos Estados Unidos, contradizendo declarações anteriores de Trump. Apesar da negativa, o chanceler iraniano deu o primeiro indicativo de que seu governo permitirá circulação limitada de embarcações no Estreito de Ormuz.
Segundo declarações reproduzidas pela agência SNN, o estreito estaria fechado apenas para "inimigos e aqueles que apoiam sua agressão". A economia iraniana sofreu um duro golpe no domingo (15), quando os EUA bombardearam a ilha de Kharg, local estratégico para o escoamento de petróleo do país.
Expansão do conflito e balanço de vítimas
O conflito no Oriente Médio continua se expandindo com novos ataques registrados nesta segunda-feira:
- Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein relataram novos ataques com mísseis ou drones no Golfo Pérsico
- Israel afirmou que o Irã lançou mísseis em direção ao seu território
- Vários ataques atingiram o centro de Israel e a área de Tel Aviv, causando danos em 23 locais
O balanço de vítimas continua aumentando em toda a região:
- No Irã, a Cruz Vermelha relatou mais de 1.300 mortes por conta dos ataques dos EUA e Israel
- O Ministério da Saúde iraniano afirmou que 223 mulheres e 202 crianças estão entre os mortos
- Em Israel, 12 pessoas morreram por ataques de mísseis iranianos
- Pelo menos 13 militares dos EUA faleceram, incluindo seis em um acidente aéreo no Iraque
- No Líbano, ao menos 820 pessoas morreram desde que o Hezbollah atacou e Israel respondeu
A situação humanitária se agrava rapidamente, com mais de 800 mil pessoas deslocadas no Líbano em apenas 10 dias - quase um em cada sete habitantes do país. O conflito que começou com os ataques a figuras de alto escalão iranianas transformou-se em uma guerra regional com consequências cada vez mais graves para a população civil.



