Trump contradiz secretário de Energia sobre preços da gasolina nos EUA
Trump discorda de secretário sobre preços da gasolina

Trump contradiz próprio secretário de Energia sobre preços da gasolina

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em rota de colisão com seu próprio secretário de Energia, Chris Wright, sobre as perspectivas para os preços da gasolina no país. Em entrevista por telefone ao portal The Hill nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, Trump classificou como "completamente errada" a avaliação de Wright de que os americanos podem não ver os valores retornarem aos níveis pré-guerra com o Irã até o próximo ano.

Divergência nas previsões sobre combustíveis

No domingo, durante entrevista à emissora CNN, o secretário de Energia Chris Wright havia alertado que mesmo com uma possível abertura do Estreito de Ormuz, os preços da gasolina podem não cair abaixo de US$ 3 por galão até 2027. A medida do galão é a mais utilizada nos Estados Unidos para avaliar os valores dos combustíveis.

Trump, no entanto, foi categórico em sua discordância: "Não. Acho que ele está errado. Completamente errado". O presidente americano afirmou que os preços cairão "assim que isso terminar", referindo-se ao conflito no Oriente Médio desencadeado por ataques americanos e israelenses contra território iraniano em 28 de fevereiro.

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Cenário atual dos preços e incertezas

Os números mostram uma realidade preocupante para os consumidores americanos. No início de 2026, o preço médio da gasolina comum era um pouco superior a US$ 2,75 por galão. Na semana passada, segundo dados da Associação Automobilística Americana, esse valor havia saltado para US$ 4,093 por galão, representando um aumento significativo em poucos meses.

O cenário geopolítico também contribui para as incertezas. Na véspera do fim de um frágil cessar-fogo entre EUA e Irã, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, afirmou que seu país não tem planos para uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos. Segundo as autoridades iranianas, os americanos teriam violado o acordo de trégua "desde sua implementação".

Repercussões nos mercados e na política

As tensões no Oriente Médio já estão afetando diretamente os mercados internacionais. Nesta segunda-feira, os preços do petróleo dispararam, com o Brent, referência no mercado internacional, subindo 4,9% para 94,81 dólares por volta das 7h40.

Chris Weston, analista da corretora australiana Pepperstone, explicou que a apreensão de um cargueiro iraniano e as ameaças de retaliação por parte de Teerã estão forçando os operadores a reavaliarem suas posições. "Com os fluxos por Ormuz paralisados, os operadores reavaliam as probabilidades e o cronograma para uma normalização logística", indicou o especialista.

As consequências políticas também são significativas. Uma pesquisa nacional da Universidade Quinnipiac com eleitores registrados, divulgada na semana passada, revelou que 65% dos entrevistados culpam Trump "muito" ou "um pouco" pelo recente salto nos preços da gasolina.

Desencontro de informações sobre negociações

Enquanto as autoridades iranianas negam planos para novas negociações, Trump anunciou no domingo, 19 de abril, que autoridades americanas viajariam a Islamabad, no Paquistão, nesta segunda-feira para "negociações". Antes da apreensão do navio iraniano, autoridades em Teerã haviam confirmado à CNN que também enviariam uma delegação à capital paquistanesa, embora reportagens da mídia estatal iraniana tenham levantado dúvidas sobre a participação do país em uma possível segunda rodada de conversações.

A divergência entre o presidente e seu secretário de Energia ocorre em um momento delicado tanto para a economia americana quanto para a política interna, com os preços dos combustíveis se tornando um tema sensível para os eleitores e para a estabilidade do mercado energético global.

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