Trump defende vídeo racista sobre Obamas e gera onda de repúdio nos Estados Unidos
Trump defende vídeo racista sobre Obamas e causa repúdio

Ex-presidente dos EUA defende publicação de conteúdo racista e causa indignação nacional

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 6 de setembro, que não cometeu erro ao compartilhar um vídeo que retrata o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos. Esta foi a primeira manifestação pública dele sobre o episódio, que gerou uma forte onda de repúdio em todo o país.

Defesa controversa a bordo do Air Force One

A bordo do avião presidencial Air Force One, Trump declarou que não havia assistido ao vídeo completo antes da publicação. Ele justificou que a postagem foi retirada do ar assim que soube do conteúdo específico. “Eu não cometi um erro. Eu olho milhares de coisas”, afirmou o ex-presidente. “Ninguém sabia que aquilo estava no final. Se tivessem olhado, teriam visto e provavelmente teriam tido bom senso para tirar do ar.”

Paralelamente, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse à Fox News que Trump conversou com parlamentares sobre o caso e classificou a repercussão como uma “distração”. A postagem foi realizada no fim da noite de quinta-feira, 5 de setembro, na conta de Trump na rede social Truth Social.

Vídeo permaneceu no ar por 12 horas e gerou reações imediatas

O vídeo ficou disponível por aproximadamente 12 horas e só foi removido na tarde desta sexta-feira, após críticas intensas de parlamentares da oposição e até mesmo do mesmo partido de Trump. Antes da remoção, a porta-voz da Casa Branca havia minimizado a publicação, referindo-se a ela como um “meme da internet”.

O governo inicialmente rejeitou as críticas, emitindo um comunicado à AFP que afirmava: “Trata-se de um vídeo de meme da internet que mostra o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão. Por favor, parem com a indignação falsa e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano.”

Contudo, mais tarde, a Casa Branca informou à agência Reuters que o vídeo foi um “erro” de um funcionário do governo, marcando uma mudança significativa na postura oficial.

Conteúdo do vídeo e teorias conspiratórias

A gravação, com cerca de um minuto de duração, apresentava uma teoria da conspiração relacionada às eleições americanas. No final, os rostos do casal Obama apareciam sobrepostos aos corpos de macacos por aproximadamente um segundo, com a canção “The Lion Sleeps Tonight” tocando ao fundo. É importante destacar que os Obamas não têm qualquer relação com as alegações falsas contidas no material.

O vídeo repetia acusações infundadas de que a empresa de apuração de votos Dominion Voting Systems teria ajudado a roubar a eleição presidencial de 2020 de Trump. A publicação recebeu milhares de curtidas na rede social do ex-presidente nas primeiras horas desta sexta-feira, demonstrando o engajamento de sua base de apoiadores.

Onda de condenações e repúdio generalizado

O gabinete do governador democrata da Califórnia, Gavin Newsom, condenou veementemente a publicação, classificando-a como “comportamento repugnante”. Por sua vez, Tim Scott, o único senador negro do Partido Republicano, descreveu o vídeo como “a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca”.

Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado próximo de Barack Obama, também se manifestou contra as imagens. Em uma publicação na plataforma X, ele escreveu: “Deixem que Trump e seus seguidores racistas sejam assombrados, porque os americanos do futuro verão os Obamas como figuras queridas, enquanto o estudam como uma mancha em nossa história.”

Barack Obama, o único presidente negro na história dos Estados Unidos, tem apoiado publicamente a rival de Trump, Kamala Harris, na disputa eleitoral de 2024, o que pode ter influenciado o contexto político do episódio. Este incidente ressalta as tensões raciais e políticas que continuam a marcar o cenário americano, com repercussões significativas na opinião pública e no debate nacional.