Trump intensifica ataques ao Papa Leão XIV e agrava crise entre EUA e Vaticano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar publicamente o Papa Leão XIV, aprofundando uma crise diplomática inédita entre a Casa Branca e a Santa Sé. Em uma publicação na plataforma Truth Social, o mandatário questionou diretamente o pontífice sobre sua postura em relação ao Irã.
Questionamentos sobre o Irã e acusações de fraqueza
"Será que alguém poderia, por favor, dizer ao Papa Leão que o Irã matou pelo menos 42 mil manifestantes inocentes e completamente desarmados nos últimos dois meses, e que o Irã ter uma bomba nuclear é absolutamente inaceitável?", escreveu Trump. A declaração faz referência aos civis assassinados por forças de segurança durante os protestos contra o regime dos aiatolás no início do ano. Embora o balanço exato de vítimas seja incerto, organizações de direitos civis estimam que milhares tenham morrido.
Na noite do último domingo, 12 de abril, Trump já havia publicado um longo texto nas redes sociais, acusando Leão XIV de ser "fraco" em questões como a criminalidade e a guerra no Irã. Além disso, o presidente americano reivindicou para si o fato de Robert Prevost ter sido eleito como sucessor do Papa Francisco no conclave de maio de 2025.
Reivindicação de influência na eleição papal
"Leão deveria ser grato porque sua nomeação foi uma surpresa chocante. Ele não estava em nenhuma lista para ser Papa e só foi colocado lá por ser americano, e eles acharam que essa seria a melhor maneira de lidar com o presidente Trump. Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", acrescentou Trump, em uma afirmação que gerou controvérsia sobre interferência política em assuntos religiosos.
No dia seguinte às declarações, o Papa Leão XIV respondeu publicamente, afirmando que não tem "medo do governo Trump". "Continuarei a me manifestar em voz alta contra a guerra", garantiu o pontífice, reafirmando sua posição pacifista e independente.
Crise se estende às relações com a Itália
A tensão também abalou as relações do presidente americano com um importante aliado na Europa: a Itália. Após a primeira-ministra Giorgia Meloni definir como "inaceitáveis" os ataques de Trump ao Papa Leão XIV, o mandatário disse estar "chocado" com a postura da líder italiana.
"Pensava que ela tivesse coragem, mas me enganei. Ela é muito diferente do que eu imaginava", afirmou Trump, em uma declaração que revela fissuras na aliança transatlântica. A reação de Meloni, conhecida por suas posições conservadoras, surpreendeu observadores políticos e destacou o isolamento crescente de Trump no cenário internacional.
Esta crise representa um episódio sem precedentes nas relações entre os Estados Unidos e o Vaticano, tradicionalmente marcadas por cooperação e respeito mútuo. As declarações de Trump não apenas desafiam a autoridade moral do Papa, mas também têm implicações significativas para a diplomacia global e a coesão entre nações ocidentais.



