O cenário político da Venezuela, ainda em ebulição após a queda do ditador Nicolás Maduro, foi palco de um novo capítulo diplomático nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou ter mantido uma conversa telefônica com a presidente interina do país, Delcy Rodríguez.
Uma conversa marcada por elogios e diplomacia
O republicano não economizou adjetivos ao se referir à líder venezuelana, classificando-a como uma "pessoa incrível". Em suas declarações, Trump afirmou que os dois abordaram "muitas coisas" durante o diálogo, embora não tenha entrado em detalhes específicos sobre a pauta. Ele também reiterou que os Estados Unidos estão lidando "muito bem" com a situação em Caracas.
Do outro lado da linha, Delcy Rodríguez confirmou o contato e descreveu o bate-papo como "muito produtivo e cortês". A troca de gentilezas, no entanto, ocorre em um contexto de tensão sobre a governança do país sul-americano.
O pano de fundo: incerteza política e rejeição a interferências
A ligação acontece em meio a um vácuo de poder e disputas sobre quem efetivamente comanda a Venezuela. A situação se agravou após a prisão de Nicolás Maduro, capturado por forças americanas no sábado, 3 de janeiro. Em declarações anteriores à conversa com Rodríguez, Trump havia sinalizado que os EUA administrariam o país por um período "indeterminado", até que uma transição considerada justa pudesse ser realizada.
A Casa Branca chegou a elaborar um plano de três etapas para a Venezuela, que culminaria na transição de poder. Contudo, Delcy Rodríguez, que assumiu o cargo interinamente na semana passada, foi enfática ao descartar qualquer tipo de ingerência externa. "O governo venezuelano governa o nosso país, ninguém mais. Não há nenhum agente externo governando a Venezuela", declarou ela um dia após sua posse no Parlamento.
Quem é Delcy Rodríguez, a nova presidente interina?
Nascida em Caracas há 56 anos, Delcy Rodríguez é uma figura de longa data no cenário político venezuelano. Filha do guerrilheiro de esquerda Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista nos anos 1970, ela é formada em Direito pela Universidade Central da Venezuela.
Sua ascensão política foi rápida na última década, ocupando pastas importantes:
- Ministra da Comunicação e Informação (2013-2014)
- Ministra das Relações Exteriores (2014-2017)
- Ministra da Fazenda e do Petróleo, cargos que acumulou com a vice-presidência
- Presidente da Assembleia Constituinte pró-governo (a partir de 2017)
Conhecida por seu estilo e por políticas econômicas ortodoxas em meio à hiperinflação, Rodríguez trabalha em estreita colaboração com seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional. Por sua firme defesa do socialismo bolivariano, ganhou de Maduro o apelido de "tigresa".
O telefonema entre Trump e Rodríguez, portanto, representa mais do que uma cortesia diplomática. É um movimento delicado no tabuleiro geopolítico, onde os EUA buscam influenciar uma transição, e o novo governo interino venezuelano luta para afirmar sua soberania em um país profundamente dividido e em crise. Os próximos capítulos desta relação definirão os rumos da nação caribenha.