Menos de uma semana após a última decisão de juros de Jerome Powell à frente do Federal Reserve (Fed), Donald Trump publicou, nesta segunda-feira (4), uma imagem de Powell caindo dentro de uma lata de lixo. "Tarde demais é um DESASTRE para os EUA! Juros altos demais!", escreveu Trump na Truth Social.
A relação entre Powell e o presidente norte-americano foi um verdadeiro cabo de guerra. Desde que o republicano tomou posse de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, não poupou críticas ao banqueiro. Trump insistiu diversas vezes em juros menores nos EUA, enquanto Powell se manteve resiliente às pressões. Em um ano e cinco meses, promoveu apenas três reduções — a última em dezembro do ano passado.
Primeiro semestre de 2025: pressões iniciais e encontros
Março de 2025
Trump criticou a decisão do Fed de manter os juros estáveis e afirmou que a instituição estaria "muito melhor se cortasse as taxas".
Abril de 2025
No chamado "Dia da Libertação", defendeu que juros menores ajudariam a economia a lidar com novas tarifas de importação.
Maio de 2025
Durante o primeiro encontro presencial na Casa Branca, Trump disse a Powell que ele cometia um "erro" ao não reduzir os juros. Resposta de Powell: Ressaltou que decisões sobre a política monetária dependeriam apenas de dados econômicos e reafirmou em comunicado que o Fed age "conforme determina a lei… isento de influência política".
Junho de 2025
Trump intensificou ataques em redes sociais, chamando Powell de "burro" e "teimoso", e sugeriu que o Congresso deveria agir contra ele. Resposta de Powell: Em audiência no Congresso, ignorou os ataques pessoais e disse que "não precisamos ter pressa" para reduzir os juros devido à incerteza inflacionária.
Segundo semestre de 2025: escalada verbal
Julho de 2025
Trump chamou Powell de "estúpido" e "cabeça oca", afirmando que a política monetária estava "prejudicando as pessoas".
Outubro de 2025
Referiu-se a Powell como "chefe incompetente do Fed" e "cara ruim", afirmando que ele sairia do cargo em poucos meses.
Novembro de 2025
A Casa Branca classificou Powell como "mula de teimosia" por não reduzir as taxas enquanto a inflação permanecia acima da meta.
Janeiro de 2026: investigação criminal e novo capítulo da disputa
O conflito atingiu um novo patamar com a abertura de investigação criminal pelo Departamento de Justiça (DOJ) contra Powell, por suposta má administração e mentiras ao Congresso sobre reformas nos prédios do Fed.
11 de janeiro de 2026
Trump negou envolvimento direto na ação do DOJ, mas criticou Powell: "ele certamente não é muito bom no Fed e não é muito bom na construção de edifícios". Resposta de Powell: Em vídeo, acusou o governo de usar a investigação como "pretexto" para intimidação política e afirmou que "a ameaça de processos criminais é consequência do Fed definir as taxas com base no interesse público, não nas preferências do presidente".
14 de janeiro de 2026
Trump disse à Reuters que não tinha planos imediatos de demitir Powell, mas que era "muito cedo" para decidir.
29 de janeiro de 2026
Após o Fed manter os juros entre 3,50% e 3,75%, Trump chamou Powell de "idiota" e disse que ele estava "prejudicando o país e a segurança nacional", afirmando ainda que o Fed "está custando aos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares por ano em juros totalmente desnecessários".
30 de janeiro de 2026
Trump anunciou que indicaria um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio, com Kevin Warsh como principal cotado.



