Trump intensifica pressão com ameaça de enviar agentes do ICE para aeroportos dos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (22) que agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) começarão a atuar em aeroportos do país a partir desta segunda-feira (23). A declaração representa uma escalada na tentativa de pressionar senadores democratas que vetaram o projeto de orçamento do Departamento de Segurança Interna na sexta-feira (20).
Impasses políticos geram crise na segurança aeroportuária
Em publicação em sua rede social no sábado, Trump foi enfático: "Se os democratas da esquerda radical não assinarem imediatamente um acordo (...), transferirei nossos brilhantes e patriotas agentes do ICE para os aeroportos, onde eles farão a segurança como nunca se viu antes". O presidente norte-americano afirmou ainda que "aguarda ansiosamente para ver o ICE em ação em nossos aeroportos".
O veto democrata ao orçamento ocorre porque exigem mudanças nas práticas do ICE, especialmente após a onda de protestos motivada pelas mortes de dois cidadãos norte-americanos, Renée Good e Alex Pretti, por agentes de imigração em Minnesota. Com as verbas congeladas, muitos funcionários de segurança aeroportuária pararam de trabalhar por não receberem salários, gerando grandes filas nos principais aeroportos dos Estados Unidos neste sábado.
Democratas exigem reformas no ICE enquanto governo propõe mudanças
Os democratas apresentam uma série de exigências para aprovar o orçamento, incluindo:
- Exigência de mandado judicial para entrada forçada em residências por agentes do ICE
- Uso obrigatório de informações de identificação nos uniformes dos agentes
- Proibição do uso de máscaras pelos agentes durante operações
A senadora Patty Murray, principal democrata na Comissão de Orçamento do Senado, declarou: "O povo americano já não aguenta mais essa agência descontrolada. Precisamos controlá-la. E estamos negociando agora como fazer isso".
O governo Trump afirma já ter concordado com diversas mudanças, como:
- Uso ampliado de câmeras corporais, com exceção para operações secretas
- Limitação das atividades de fiscalização civil em locais sensíveis como hospitais, escolas e locais de culto
Os republicanos também destacam que Trump demitiu a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e colocou Tom Homan no comando das operações em Minneapolis, demonstrando intenção de promover mudanças nas operações do ICE.
Negociações se intensificam enquanto crise se aprofunda
O líder democrata no Senado, Chuck Schumer, de Nova York, disse que apresentaria uma medida alternativa ainda no sábado para financiar apenas a Administração de Segurança de Transporte (TSA), responsável por inspecionar passageiros e bagagens em busca de itens perigosos.
Nos bastidores, os esforços para resolver o impasse se intensificaram na sexta-feira, com Tom Homan, o "czar da fronteira", reunindo-se pelo segundo dia consecutivo com um grupo bipartidário de senadores. O líder da maioria no Senado, John Thune, republicano da Dakota do Sul, afirmou ver "espaço para um acordo".
Com o Congresso prestes a entrar em recesso prolongado no fim de março por conta da pausa de primavera, Thune ameaçou manter os senadores em Washington caso o impasse não seja resolvido: "Não consigo imaginar que entremos em recesso se o governo continuar paralisado".
Enquanto isso, a situação nos aeroportos continua crítica. A grande maioria dos funcionários da TSA é considerada essencial e continua trabalhando durante a suspensão do financiamento governamental, mas sem receber salário. Muitos têm faltado, alegando motivos de saúde diante da falta de remuneração.
Paralelamente, mais de 1000 agentes do ICE deixaram Minneapolis, adicionando outra camada de complexidade à crise de segurança que se desenvolve nos Estados Unidos.



