Suprema Corte dos EUA derruba tarifas de Trump, beneficiando Brasil em cenário de incerteza global
Suprema Corte derruba tarifas de Trump; Brasil é beneficiado

Suprema Corte dos EUA derruba tarifas de Trump, beneficiando Brasil em cenário de incerteza global

Em uma decisão histórica, a Suprema Corte dos Estados Unidos deliberou pela extinção do pacote de tarifas sobre o comércio internacional anunciado pelo presidente Donald Trump em seu segundo mandato. A votação terminou com placar de 6 a 3, com os juízes argumentando que não havia base legal para a invocação de uma lei emergencial de 1977 pela Casa Branca, que buscava contornar a exclusividade do Congresso para impor taxas.

Enfurecido, Trump qualificou a decisão como "uma desgraça" e "uma vergonha para as famílias" dos responsáveis. Em seu discurso sobre o Estado da União, ele voltou a criticar a medida, chamando-a de "muito infeliz". No entanto, o fato é que a anulação ocorre em um momento tenso para o governo, marcado por queda de popularidade, desempenho econômico abaixo do esperado e controvérsias sobre políticas de imigração.

Impacto no Brasil e na economia global

Entre todos os países afetados pelo tarifaço de Trump, o Brasil terá a maior redução média de tarifas, de 13 pontos percentuais, seguido pela China, com 7 pontos, e por nações do Sudeste Asiático. Isso representa um alívio significativo para as exportações brasileiras, que caíram 7% em 2025, totalizando 37,7 bilhões de dólares, devido às taxas impostas anteriormente.

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Do outro lado da balança, aliados históricos dos Estados Unidos, como Reino Unido, União Europeia e Japão, que negociaram acordos de altos investimentos em troca de taxas menores, serão os mais impactados negativamente. A situação tem gerado incerteza no cenário global, com empresas adiando investimentos e comércio internacional em risco de retração.

"As empresas não sabem o que vai acontecer e provavelmente vão investir menos, contratar menos e adiar expansões", prevê Mark Zandi, economista da Moody's Analytics. Essa instabilidade é agravada pela busca da Casa Branca por leis e decretos alternativos para manter a ameaça de tarifas, como a Seção 301 da Lei de Comércio, que permite sanções baseadas em investigações de práticas desleais.

Repercussões políticas e eleitorais

A remoção das tarifas pela Suprema Corte e as tentativas da Casa Branca de mantê-las por outros meios serão tema de destaque na campanha eleitoral americana de novembro, que se prenuncia acirrada. Trump precisa reforçar sua imagem de defensor da indústria americana junto à base que o apoia, enquanto enfrenta críticas dentro do Partido Republicano sobre os efeitos negativos das tarifas, como aumento do risco de inflação e instabilidade financeira.

"É provável que os preços nas lojas se mantenham altos", alerta Carola Binder, professora de economia na Universidade do Texas, destacando que o custo de vida é hoje a maior insatisfação dos americanos. Além disso, importadores americanos buscarão reembolso das tarifas anuladas, uma conta estimada em torno de 350 bilhões de dólares, o que complica ainda mais o cenário econômico.

Encontro entre Lula e Trump e futuro incerto

O governo brasileiro tentará evitar taxas mais altas em um encontro previsto para março entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Washington. A negociação incluirá acenos a pautas estratégicas, como o acesso americano a reservas de terras-raras. No entanto, no cenário atual, marcado por tensões internacionais e incertezas, a única certeza é a instabilidade.

Delegações de países como Índia e União Europeia já adiaram viagens e votações de acordos comerciais devido às novas tarifas. No Japão, autoridades definem a situação como "verdadeira bagunça", refletindo o clima de confusão no comércio global.

"As incertezas podem levar à protelação, e Trump, impulsivo, é capaz de reagir com alguma nova surpresa", diz Bruce Stokes, da Chatham House. A decisão da Suprema Corte restaurou, ao menos momentaneamente, o princípio do equilíbrio entre os três poderes nos EUA, um sistema que Trump tem desafiado com suas ações executivas.

Enquanto isso, o Brasil aproveita a brecha para recuperar suas exportações, mas o futuro permanece nebuloso, com a economia global à mercê das próximas movimentações políticas em Washington.

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