Portugueses decidem em segundo turno histórico: Socialista vence com ampla vantagem
Segundo turno histórico em Portugal elege novo presidente

Portugueses voltam às urnas em segundo turno histórico para escolher novo presidente

Os eleitores portugueses participaram neste domingo de um momento histórico: o primeiro segundo turno em uma eleição presidencial no país em quatro décadas. O pleito, que ocorreu em meio a tempestades que afetaram partes do território, resultou na vitória do candidato socialista moderado António José Seguro sobre o representante da extrema direita, André Ventura.

Resultados apontam vitória expressiva do socialista

Segundo dados da agência de notícias Reuters, com 67% dos votos apurados, António José Seguro obteve aproximadamente 63% dos votos válidos. Seu adversário, André Ventura, do partido Chega, ficou com cerca de 27%. Pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das urnas já indicavam essa tendência, projetando entre 67% e 73% dos votos para Seguro, enquanto Ventura oscilava entre 27% e 33%.

Essa vitória consolida uma trajetória que já era apontada nas pesquisas de intenção de voto das últimas semanas. No primeiro turno, realizado anteriormente, Seguro também havia liderado com 31% dos votos contra 23,49% de Ventura. O candidato da extrema direita enfrentava um índice de rejeição elevado, estimado em cerca de 60% dos eleitores conforme levantamentos prévios.

Contexto político e fragmentação eleitoral

A necessidade de um segundo turno após 40 anos é um indicativo claro da grande fragmentação política que Portugal vive atualmente. O cargo presidencial vinha sendo ocupado há quase uma década por Marcelo Rebelo de Sousa, de centro-direita, conhecido por uma postura conciliadora e pela condução do país durante sucessivas crises políticas.

A eleição deste ano ganhou contornos ainda mais significativos devido à polarização entre as propostas de Seguro, que defende uma linha socialista moderada, e as de Ventura, cujo partido Chega adota posições anti-imigração e de extrema direita. Essa disputa gerou apreensão entre comunidades imigrantes, incluindo brasileiros residentes no país, que relataram sentimentos de medo e incerteza diante da possibilidade de vitória do candidato anti-imigração.

Adiamento em municípios afetados por tempestades

As condições climáticas adversas influenciaram diretamente o processo eleitoral. Tempestades que vêm afetando Portugal nas últimas semanas, incluindo a tempestade Kristin que no final de janeiro deixou cinco mortos, destruição e quase meio milhão de pessoas sem energia, obrigaram ao adiamento da votação em alguns municípios mais impactados.

Segundo informações da Reuters, cidades no sul e no centro do país tiveram a votação adiada por uma semana. Cerca de 37 mil eleitores, correspondendo a 0,3% do total, foram afetados por essa medida excepcional.

Posicionamento dos candidatos sobre o adiamento

André Ventura, ao chegar para votar, criticou veementemente o governo por manter a data das eleições na maior parte do país. O candidato do Chega vinha defendendo nos últimos dias que todo o pleito fosse adiado em solidariedade às vítimas das chuvas torrenciais e ventos fortes.

"Acho que foi desrespeitoso porque transformou alguns portugueses em cidadãos de primeira classe e outros em cidadãos de segunda classe. Acho que em muitas partes do país, as pessoas se sentem desrespeitadas", afirmou Ventura, expressando sua insatisfação com a decisão.

Já António José Seguro, apontado como favorito nas pesquisas da imprensa portuguesa, também se manifestou sobre o adiamento em algumas zonas eleitorais. O candidato socialista expressou solidariedade aos afetados pelas tempestades, mas fez um apelo para que os cidadãos não deixassem de exercer seu direito ao voto.

"Espero que estas melhores condições meteorológicas permitam que as pessoas saiam para votar. Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide verdadeiramente o futuro do nosso país. Estamos a eleger o Presidente da República para os próximos cinco anos, o que é uma decisão muito importante", declarou Seguro, acrescentando sua solidariedade às famílias que enfrentam dificuldades devido às intempéries.

Significado histórico e perspectivas futuras

Esta eleição presidencial portuguesa marca não apenas uma mudança na liderança do país após quase dez anos, mas também reflete as novas dinâmicas políticas europeias, onde forças de extrema direita têm ganhado espaço em vários países. A vitória expressiva de Seguro, contudo, sugere que Portugal mantém uma preferência por opções moderadas, mesmo em um cenário de crescente fragmentação partidária.

Os próximos cinco anos da presidência de António José Seguro serão observados com atenção tanto dentro de Portugal quanto internacionalmente, especialmente no que diz respeito às políticas de imigração, relações com a União Europeia e resposta às crises climáticas que afetam cada vez mais a região.