Portugueses elegem António José Seguro presidente em segundo turno histórico
Seguro vence Ventura em eleição presidencial histórica em Portugal

Portugueses elegem novo presidente em segundo turno marcado por polarização

Os eleitores portugueses voltaram às urnas neste domingo (8) para um segundo turno histórico que definiu António José Seguro, do Partido Socialista, como o novo presidente da República. A confirmação da vitória veio após o fechamento das urnas, com o candidato de esquerda recebendo 66,7% dos votos válidos contra 33,3% de André Ventura, líder do partido de extrema-direita Chega.

Pronunciamento emocionado do presidente eleito

Pouco depois da confirmação dos resultados, Seguro fez seu primeiro discurso como presidente eleito. "A resposta que o povo português deu hoje, o seu compromisso com a liberdade, a democracia e o futuro do nosso país, deixa-me naturalmente comovido e orgulhoso da nossa nação", declarou aos jornalistas, visivelmente emocionado.

O político de 63 anos, que durante a campanha se posicionou como moderado disposto a cooperar com o governo minoritário de centro-direita, conquistou apoio amplo de candidatos de partidos de centro. Sua vitória representa um contraponto às propostas anti-establishment e anti-imigração defendidas por Ventura.

Ventura reconhece derrota mas celebra crescimento histórico

Em suas redes sociais, André Ventura reconheceu a derrota mas destacou o significado do resultado para seu movimento político. "Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer história! Obrigado pela confiança", escreveu o candidato de 43 anos.

O líder do Chega comentou ainda com jornalistas após votar: "Todo o sistema político, tanto de direita quanto de esquerda, uniu-se contra mim. Mesmo assim, acredito que a liderança da direita foi definida e consolidada hoje". Apesar da derrota, Ventura segue em ascensão política, com seu partido tendo se tornado a segunda maior força parlamentar portuguesa no ano passado.

Eleições adiadas em municípios afetados por tempestades

As condições climáticas adversas que afetam Portugal há semanas influenciaram o processo eleitoral. Em alguns municípios do sul e centro do país mais impactados pelas tempestades, o segundo turno foi adiado por uma semana, afetando aproximadamente 37 mil eleitores.

Ventura criticou a decisão de manter a data na maior parte do país: "Acho que foi desrespeitoso porque transformou alguns portugueses em cidadãos de primeira classe e outros em cidadãos de segunda classe". Já Seguro expressou solidariedade aos afetados, mas enfatizou a importância da participação eleitoral: "Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide verdadeiramente o futuro do nosso país".

Contexto político e significado da eleição

A vitória de Seguro ocorre em um momento de crescente influência da extrema-direita em Portugal e na Europa. O candidato socialista conseguiu unir setores tradicionais tanto de esquerda quanto de direita preocupados com a onda populista.

Portugal opera sob um sistema semipresidencialista, onde o presidente tem funções predominantemente cerimoniais e de representação internacional, enquanto o primeiro-ministro conduz o dia a dia do governo. Seguro sucederá Marcelo Rebelo de Sousa, que ocupou a presidência por quase uma década com uma postura conciliadora.

As eleições presidenciais portuguesas ocorreram em meio a desafios climáticos significativos, incluindo a tempestade Kristin que no final de janeiro deixou cinco mortos, destruição generalizada e quase meio milhão de pessoas sem energia no país.