O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, que o Reino Unido não abrirá mão de seus princípios para apoiar as pretensões do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação à Groenlândia. A região autônoma, administrada pela Dinamarca, tem sido alvo de ameaças do líder republicano, que prometeu tomar o território rico em recursos naturais.
Confronto diplomático se intensifica
No início desta semana, Starmer já havia se posicionado contra as declarações de Trump, apelando por discussões calmas sobre o assunto. No entanto, a tensão aumentou quando o presidente americano passou a criticar publicamente o acordo britânico que prevê a devolução das Ilhas Chagos às Ilhas Maurício, classificando a decisão como um ato de grande estupidez e total fraqueza.
Pressão através das redes sociais
Em postagens na Truth Social, rede social da qual é proprietário, Trump escreveu: Inacreditavelmente, nosso 'brilhante' aliado da OTAN, o Reino Unido, está planejando entregar a ilha de Diego Garcia, onde fica uma base militar vital dos EUA, para Maurício, e fazer isso SEM NENHUM MOTIVO. Ele acrescentou que a cessão de terras pelo Reino Unido seria mais uma razão para que a Groenlândia precisa ser adquirida pelos Estados Unidos.
Starmer acusa Trump de manipulação
Questionado pela líder da oposição britânica, Kemi Badenoch, sobre as declarações de Trump, o primeiro-ministro foi enfático ao afirmar que o presidente americano tentou manipulá-lo para mudar seu discurso e adotar uma postura favorável aos planos estadunidenses. O presidente Trump usou ontem palavras sobre Chagos que foram diferentes de suas palavras anteriores de boas-vindas e apoio, disse Starmer.
Ele explicou ainda que Trump usou essas palavras ontem com o propósito expresso de pressionar a mim e à Grã-Bretanha em relação aos meus valores e princípios, sobre o futuro da Groenlândia. O premiê britânico reafirmou sua determinação: Ele quer que eu ceda na minha posição, e eu não vou fazer isso.
Críticas à oposição britânica
Starmer não poupou críticas à própria oposição interna, acusando Kemi Badenoch de apoiar as declarações do presidente Trump que minam a posição do governo sobre o futuro da Groenlândia e de praticar oportunismo descarado em detrimento do interesse nacional. O primeiro-ministro expressou surpresa pelo fato de a líder da oposição ter se juntado a Trump nessa estratégia de pressão.
Contexto geopolítico ampliado
A disputa pela Groenlândia ocorre em um momento de tensões geopolíticas mais amplas. Além das ameaças de Trump de tomar o território dinamarquês, o presidente republicano também prometeu impor tarifas sobre oito nações europeias que enviaram tropas à região. A postura firme de Starmer reflete uma tentativa de manter a soberania das decisões britânicas frente à pressão de um aliado tradicional.
A questão das Ilhas Chagos, mencionada por Trump como ferramenta de pressão, é particularmente sensível. A base militar de Diego Garcia, localizada no arquipélago, tem importância estratégica para os Estados Unidos, e a devolução do território às Ilhas Maurício representa um compromisso histórico do Reino Unido com processos de descolonização.
Este confronto diplomático entre dois aliados da OTAN destaca as complexidades das relações internacionais contemporâneas, onde interesses nacionais e princípios políticos frequentemente entram em conflito. A determinação de Starmer em não ceder à pressão de Trump sugere que o Reino Unido busca afirmar sua independência política mesmo em meio a alianças estratégicas de longa data.