Vídeo revela perseguição e diálogo antes de mulher trans ser assassinada a tiros em SP
Vídeo mostra perseguição antes de mulher trans ser morta em SP

Vídeo revela perseguição e diálogo antes de mulher trans ser assassinada a tiros em SP

Imagens de câmeras de segurança obtidas pelo g1 mostram os momentos que antecederam a morte de uma mulher trans de 35 anos na madrugada de segunda-feira, 2 de setembro, no Planalto Paulista, Zona Sul de São Paulo. O vídeo, gravado por volta das 4h38, registra uma cena dramática que culminou em um crime violento, atualmente investigado como homicídio doloso.

Detalhes da perseguição capturada pelas câmeras

Nas imagens, a vítima, identificada como Sheila, aparece correndo atrás de um homem apontado como suspeito do crime, o policial civil Paulino Domiciano Antônio. A perseguição dura aproximadamente dois minutos, com um momento em que ambos param em frente a um carro e conversam. Em seguida, o homem se afasta a pé, segurando um objeto não identificado, enquanto Sheila permanece parada, aparentemente mexendo no celular antes de subir a rua.

O vídeo mostra ainda o policial retornando à cena, com Sheila correndo atrás dele novamente. Pouco depois, um carro entra no enquadramento, e o investigador volta à rua por onde havia passado correndo. Sheila não aparece mais nas imagens, e o policial, então, retorna ao carro e deixa o local. É importante ressaltar que as filmagens não capturam os disparos de arma de fogo.

Acionamento da polícia e descoberta do corpo

Moradores da rua acionaram a Polícia Militar cerca de doze minutos após os eventos iniciais, por volta das 4h50, relatando barulho de tiros na Alameda dos Guainumbis, esquina com a Rua Irerê, conforme o boletim de ocorrência. Sheila foi encontrada caída na via pública com um ferimento no tórax compatível com disparo de arma de fogo. A morte foi constatada no local pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que foi chamado ao local.

Um morador testemunhou ter ouvido três disparos de arma de fogo em um intervalo de poucos segundos. Ele afirmou que o atirador estava em um carro antigo e gritou ofensas antes de atirar, mas não conseguiu identificar o veículo nem o autor com precisão.

Investigações e prisão do policial civil

O caso, inicialmente registrado como homicídio de autoria desconhecida, avançou rapidamente após a apresentação espontânea do policial civil Paulino Domiciano Antônio aos seus superiores horas após o crime. Ele foi preso em flagrante e, na delegacia, alegou ter sido vítima de uma tentativa de assalto. No entanto, o suspeito não acionou a Polícia Militar nem comunicou o ocorrido às autoridades no momento dos fatos, levantando questões sobre sua versão dos eventos.

A perícia encontrou no local um fragmento de projétil, uma marca de disparo em um muro próximo e apreendeu R$ 37,90 em dinheiro, além de um recipiente com substância branca que estavam na bolsa da vítima. Sheila não portava documentos no momento do crime, o que complicou a identificação inicial.

Andamento das investigações e providências

O caso foi registrado como homicídio doloso no 27º Distrito Policial, no Campo Belo, e passou a ser investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Exames necroscópico, toxicológico e de DNA foram solicitados para auxiliar na elucidação do crime. Imagens de outras câmeras de segurança da região estão sendo analisadas para esclarecer a dinâmica e a autoria do homicídio.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Corregedoria da Polícia Civil acompanha a ocorrência e adotará as devidas providências em relação ao policial envolvido. Paulino Domiciano Antônio teria deixado o local do crime dirigindo uma viatura descaracterizada da Polícia Civil, detalhe que está sob investigação.

Este trágico incidente reforça a necessidade de discussões sobre segurança pública e a proteção de grupos vulneráveis, como a comunidade trans, em contextos urbanos. As autoridades continuam a trabalhar para trazer justiça ao caso, enquanto a sociedade aguarda por respostas concretas.