Putin na China: visita histórica reforça aliança estratégica entre Rússia e China
Putin na China: aliança estratégica entre Rússia e China

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou à China nesta terça-feira (19) para uma visita de Estado que ocorre apenas quatro dias após a visita do presidente americano, Donald Trump. O anúncio da viagem de Putin foi feito apenas 24 horas depois do retorno de Trump aos Estados Unidos, evidenciando o ritmo acelerado da diplomacia global.

Contexto geopolítico

A visita de Putin ocorre em um momento de reconfiguração das relações internacionais. Durante a passagem de Trump pela China, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que existem agora duas grandes potências que precisam coexistir pacificamente, deixando claro que os Estados Unidos devem aceitar essa nova realidade. Agora, Xi recebe Putin para discutir as conversas com os americanos, conforme informou o Kremlin.

Demonstração de poder chinês

Para a China, receber os líderes das duas maiores potências mundiais em um curto intervalo de tempo é uma demonstração de poder e influência. Pequim quer provar que todos os caminhos passam por sua capital. Enquanto esta é a segunda visita de Trump, Putin já realizou 25 visitas à China, reforçando uma amizade antiga entre os líderes dos dois países, que não experimentaram alternância de poder nas últimas décadas.

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Documento conjunto de 47 páginas

Durante o encontro, Xi e Putin devem assinar um documento de 47 páginas que servirá como um manual da nova ordem mundial. O conteúdo, que será revelado após a reunião, reflete o que Xi disse a Trump: o mundo entrou em uma era pós-Estados Unidos, com múltiplas potências. O texto propõe uma nova linguagem diplomática, pede a reforma de instituições internacionais e defende a soberania dos países.

Irônica e contraditoriamente, o documento é assinado por dois países frequentemente acusados de violar soberanias: a Rússia invadiu a Ucrânia, e a China é acusada de interferir em fronteiras marítimas no Vietnã e nas Filipinas. Por outro lado, chineses e russos argumentam que os Estados Unidos violam soberanias, citando exemplos como Iraque e Irã.

Democratização das relações internacionais

Rússia e China defenderão no documento que as relações internacionais devem ser democratizadas, com mais espaço para todos os países. Isso vem de dois países governados de fato por um único partido, cujos líderes somam 40 anos no poder. É a era das contradições.

Exercício militar russo e interesses energéticos

Enquanto Putin está na China, a Rússia iniciou um mega exercício militar para simular ataques nucleares. O presidente russo busca um acordo para viabilizar um grande gasoduto que sairia do Ártico, cruzaria a Sibéria e a Mongólia, abastecendo a China com gás natural. Moscou espera convencer Xi devido à desestabilização das rotas marítimas de petróleo e gás causada pela guerra no Irã. A Rússia já vende gás com 40% de desconto para os chineses, como gesto de amizade e por necessidade, após sanções americanas reduzirem as vendas para a Europa.

O triângulo do poder global

O ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, já afirmou que a China não pode aceitar uma derrota da Rússia, pois os Estados Unidos focariam totalmente em Pequim. Este é o triângulo do nosso tempo: três homens em uma disputa global pelo poder. Trump quer fazer negócios para ter mais poder; Putin quer mais poder para sobreviver; e Xi quer não apenas vencer, mas inaugurar um novo capítulo na história. O mundo está sendo redesenhado em Pequim.

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