Trump adota protocolo do 'sobrevivente designado' em discurso anual nos EUA
Protocolo do 'sobrevivente designado' em discurso de Trump

Prática de segurança presidencial é adotada durante discurso anual de Trump

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, realizou na terça-feira (24) o tradicional discurso anual sobre o Estado da União, chamando atenção ao adotar o protocolo do "sobrevivente designado". Esta prática, comum no governo norte-americano desde a Guerra Fria, tem como objetivo garantir a continuidade da liderança nacional caso ocorra algum evento catastrófico durante cerimônias importantes.

O que é o protocolo do sobrevivente designado?

O protocolo do sobrevivente designado é utilizado pelo governo dos Estados Unidos durante grandes eventos em que todos os principais líderes do país estão reunidos. Todos os anos, uma autoridade elegível para a Presidência é escolhida para não comparecer ao evento e permanecer em um local seguro e sigiloso até o fim da sessão. Caso um desastre atinja toda a linha sucessória presente no Capitólio, essa pessoa assume imediatamente o comando do país.

Normalmente, o escolhido é um membro do Gabinete presidencial, e seu nome costuma ser divulgado apenas pouco antes do início do discurso. No evento mais recente, o sobrevivente designado foi o Secretário de Assuntos dos Veteranos, Doug Collins. A escolha ocorre de forma estratégica e confidencial, por razões de segurança, com poucos detalhes revelados sobre o processo de seleção.

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Requisitos e exceções históricas

Para ser designado como sobrevivente, é necessário cumprir os requisitos constitucionais para a Presidência dos EUA:

  • Ser cidadão nato
  • Ter ao menos 35 anos de idade
  • Residir no país por 14 anos

Ainda assim, há registros históricos de exceções controversas, como no caso da ex-secretária de Estado Madeleine Albright, nascida na atual República Tcheca, e o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, nascido na Alemanha. Estas exceções demonstraram flexibilidade em situações específicas, embora mantenham o rigor dos critérios de segurança.

Origens na Guerra Fria e procedimentos atuais

A prática remonta à Guerra Fria (1947-1991), período marcado pelo temor de ataques nucleares. O Ato de Sucessão Presidencial de 1947 estabeleceu a ordem de sucessão para garantir estabilidade institucional caso o presidente e seus sucessores imediatos fiquem impossibilitados de exercer o cargo.

Após a escolha, o sobrevivente designado é levado a um local seguro e distante do evento. Em alguns casos, a autoridade é deslocada para mais de 100 quilômetros do Capitólio. Em 2000, durante o governo Bill Clinton, um dos escolhidos permaneceu a cerca de 144 quilômetros de Washington.

Casos curiosos e linha de sucessão

Em 1996, Donna Shalala, então secretária de Saúde e Serviços Humanos, foi a escolhida. Ela permaneceu na Casa Branca e chegou a pedir pizza para sua equipe enquanto aguardava o fim do discurso. "Eu vi o presidente quando ele saiu e quando ele voltou", disse à ABC News. "Ele disse: 'Não faça nada que eu não faria.'"

Geralmente, os sobreviventes designados são membros do Gabinete. Doug Collins foi escolhido em 2025 e novamente em 2026. Em 2024, o nome indicado foi o então secretário de Educação, Miguel Cardona.

Na linha de sucessão presidencial, antes que o sobrevivente designado assuma, cinco autoridades estariam à frente:

  1. O vice-presidente
  2. O presidente da Câmara dos Representantes
  3. O presidente pro tempore do Senado
  4. O secretário de Estado
  5. O secretário do Tesouro

Influência na cultura pop e esclarecimentos

O cargo ganhou destaque na cultura pop com a série "Sobrevivente Designado", da Netflix, estrelada por Kiefer Sutherland. A trama acompanha um integrante de menor escalão do gabinete que se torna presidente após um ataque terrorista matar todos os que estavam à frente na linha sucessória.

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Ao contrário do que a produção sugere, porém, a chamada "maleta nuclear" que acompanha o presidente não é um botão de ataque imediato. Ela contém documentos, códigos e planos estratégicos para diferentes cenários, incluindo respostas militares e procedimentos de segurança. Este protocolo continua sendo uma medida crucial para a estabilidade governamental dos Estados Unidos em eventos de grande magnitude.