Presidente do Fórum Econômico Mundial renuncia após investigação sobre vínculos com Jeffrey Epstein
O presidente do Fórum Econômico Mundial, Borge Brende, anunciou nesta quinta-feira (26) que deixará o comando da instituição após a abertura de uma investigação independente sobre sua relação com o financista americano Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
Ex-ministro das Relações Exteriores da Noruega, Brende afirmou em nota que decidiu se afastar para evitar “distrações” ao trabalho do Fórum. “Após cuidadosa consideração, decidi deixar o cargo de presidente e CEO. Meu tempo aqui, ao longo de oito anos e meio, foi profundamente gratificante”, declarou.
Revelações de documentos judiciais
A renúncia ocorre após o Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgar documentos que indicam que Brende participou de três jantares de negócios com Epstein e manteve comunicação por e-mail e mensagens de texto com o financista. Não há, até o momento, acusações de ilegalidade contra o executivo, mas a revelação levou o Fórum a anunciar uma apuração externa para avaliar a natureza e o contexto dos contatos.
Brende destacou o crescimento no número de parceiros institucionais e classificou como “muito bem-sucedida” a mais recente reunião anual em Davos, realizada no mês passado, que reuniu líderes de dezenas de países e focou em transição energética, inteligência artificial e riscos geopolíticos.
Pressão crescente sobre líderes globais
A saída de Brende amplia a lista de executivos e figuras públicas que deixaram cargos após terem seus nomes associados a Epstein. Há duas semanas, o presidente da operadora portuária DP World, Sultan Ahmed bin Sulayem, também renunciou após a divulgação de mensagens trocadas com o financista.
Desde a morte de Epstein em uma prisão de Nova York, o caso tornou-se um símbolo das conexões entre poder econômico, política e redes de influência globais. A publicação gradual de registros judiciais e de documentos oficiais vem expondo contatos sociais e profissionais de empresários, acadêmicos e líderes políticos de diferentes países.
Impacto na credibilidade do Fórum de Davos
O Fórum Econômico Mundial, sediado em Genebra e conhecido por organizar o encontro anual em Davos, reúne chefes de Estado, líderes empresariais e representantes da sociedade civil para discutir governança global, economia e mudanças climáticas.
A organização tem buscado reforçar sua imagem de transparência e responsabilidade corporativa, sobretudo após críticas sobre elitismo e falta de diversidade. Internamente, a avaliação é de que a permanência de Brende poderia comprometer a credibilidade institucional em um momento de crescente escrutínio público.
Reputação e governança corporativa
Especialistas em governança corporativa observam que, mesmo na ausência de acusações criminais, vínculos com Epstein tornaram-se altamente tóxicos do ponto de vista reputacional. Grandes organizações internacionais têm adotado postura de tolerância zero diante de qualquer associação que possa afetar sua imagem.
O Fórum não anunciou imediatamente quem assumirá interinamente a presidência executiva nem detalhou o cronograma da investigação independente. Em comunicado, a entidade reiterou seu compromisso com “os mais altos padrões éticos e de integridade”.
A renúncia ocorre apenas um mês depois da última edição do encontro em Davos, ampliando o impacto político do escândalo na elite global e levantando questões sobre a governança de instituições internacionais em meio a crises de reputação.



