Peru elege José María Balcázar como presidente interino após destituição de Jeri
Peru elege novo presidente interino após destituição de Jeri

Peru elege novo presidente interino após destituição de Jeri em meio a crise política

O Congresso do Peru realizou na madrugada desta quinta-feira, 19 de março, uma eleição crucial que resultou na escolha de José María Balcázar Zelada como o novo presidente interino do país. A decisão ocorreu após a destituição de José Jeri, que permaneceu apenas quatro meses no cargo, marcando mais um capítulo na instabilidade política que assola a nação andina.

Processo eleitoral e resultado

A eleição no Congresso contou com a participação de quatro candidatos, mas nenhum conseguiu alcançar maioria absoluta na primeira rodada. Isso levou a um segundo turno entre os dois mais votados: José María Balcázar Zelada, do partido de esquerda Peru Libre, e Maricarmen Alva Prieto. Balcázar saiu vitorioso, assumindo assim a presidência interina do país.

Curiosamente, o atual presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, que constitucionalmente seria o próximo na linha de sucessão, recusou-se a assumir a Presidência. Diante disso, os parlamentares tiveram que eleger um novo presidente do Congresso, que automaticamente assumiria o comando do Peru em um mandato-tampão. As próximas eleições gerais estão agendadas para o dia 12 de abril, oferecendo uma esperança de estabilidade futura.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Destituição de José Jeri e o escândalo 'Chifagate'

A destituição de José Jeri, escolhido em outubro de 2025, foi motivada por um escândalo envolvendo reuniões não divulgadas com um empresário chinês, apelidado de 'Chifagate' em referência a restaurantes chineses locais. O caso ganhou notoriedade em janeiro, quando Jeri foi filmado chegando a um restaurante tarde da noite, usando capuz, para se encontrar com o empresário Zhihua Yang, que possui lojas e uma concessão para um projeto de energia.

A votação no Congresso resultou em 75 parlamentares a favor da destituição, enquanto 24 votaram contra e três se abstiveram. Jeri afirmou que respeitaria o resultado, encerrando seu breve mandato. Diferentemente de um impeachment, que exigiria uma maioria de 87 votos no Legislativo de 130 membros, o Congresso optou por uma censura, retirando o título de presidente do Congresso com maioria simples.

Contexto histórico de instabilidade política

A rotatividade na Presidência peruana não é novidade. Jeri é o terceiro presidente consecutivo do Peru a ser removido do cargo, refletindo uma crise política profunda. Nos últimos oito anos, o país andino teve sete presidentes, e com a eleição de Balcázar, deve escolher seu oitavo chefe do Executivo nesse período.

Jeri havia assumido a presidência em outubro após o Congresso votar unanimemente pela destituição de sua antecessora, Dina Boluarte. Isso ocorreu quando partidos de direita retiraram seu apoio em meio a escândalos de corrupção e à crescente insatisfação com o aumento da criminalidade. Boluarte não tinha vice-presidente, e Jeri, como presidente do Congresso na época, era o próximo na linha de sucessão, uma condição interina que foi explorada pelo Legislativo para removê-lo.

Implicações e futuro do Peru

A eleição de José María Balcázar Zelada como presidente interino representa mais uma tentativa de estabilizar o cenário político peruano, mas a história recente sugere desafios significativos. Com as eleições gerais marcadas para abril, o país aguarda ansiosamente por uma liderança duradoura que possa enfrentar questões como corrupção, criminalidade e desenvolvimento econômico.

Este episódio destaca a fragilidade das instituições políticas no Peru e a necessidade urgente de reformas que promovam governança estável e transparente. Enquanto isso, os cidadãos peruanos observam com esperança e cautela as mudanças no topo do poder, desejando um futuro mais seguro e próspero para sua nação.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar