Alemanha, Itália e Grécia recusam pedido de Trump por navios no Estreito de Ormuz
Países europeus recusam pedido de Trump por navios no Ormuz

Países europeus recusam pedido de Trump por navios militares no Estreito de Ormuz

Em um desdobramento significativo da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, o presidente norte-americano, Donald Trump, enfrentou uma rejeição direta de aliados europeus nesta segunda-feira (16 de março de 2026). Alemanha, Itália e Grécia recusaram formalmente o pedido feito por Trump para que enviassem navios de guerra ao estratégico Estreito de Ormuz, uma via marítima crucial para o comércio global de petróleo.

O apelo do presidente e a resposta europeia

Donald Trump havia declarado no domingo, a bordo do Air Force One, que estava exigindo que cerca de sete países, fortemente dependentes do petróleo do Oriente Médio, enviassem navios para manter a passagem pelo estreito aberta. "Estou exigindo que esses países venham e protejam seu próprio território, porque é o território deles", afirmou o presidente, minimizando a necessidade dos EUA, que têm seu próprio acesso ao petróleo. Ele destacou que a China recebe cerca de 90% de seu petróleo pelo estreito, enquanto os EUA recebem uma quantidade mínima, mas se recusou a comentar se a China participaria de uma eventual coalizão.

No entanto, a resposta de importantes nações europeias foi rápida e negativa. A Alemanha, através de seu ministro das Relações Exteriores, Johann Wadephul, deixou claro à emissora ARD: "Em breve faremos parte ativa desse conflito? Não." Itália e Grécia também se juntaram à recusa, afirmando nesta manhã que não participarão de um plano conjunto para patrulhar a região. Esta rejeição ocorre enquanto os preços do petróleo disparam e a tensão no Golfo Pérsico atinge novos patamares.

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O contexto da guerra e as tensões regionais

A recusa dos países europeus se dá em um momento de intensificação dos conflitos. O Irã, através de seu ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou à CBS que o estreito está aberto a todos, exceto aos Estados Unidos e seus aliados. Ele também reforçou que "não vemos razão para conversar com os americanos" sobre um fim para a guerra, lembrando que Israel e os EUA iniciaram os combates com ataques coordenados em 28 de fevereiro, durante negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Enquanto isso, a violência na região continua a escalar. Novos ataques com mísseis e drones foram reportados por países árabes do Golfo, como Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein. O Irã também ameaçou atacar infraestruturas "petrolíferas, econômicas e energéticas" ligadas aos EUA caso suas próprias instalações sejam atingidas. O impacto humanitário é crescente: o Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou que mais de 1.300 pessoas morreram no Irã, enquanto no Líbano, mais de 800 mil pessoas foram deslocadas em apenas 10 dias devido aos conflitos envolvendo o Hezbollah e Israel.

Reações internacionais e a busca por uma solução

Outras nações demonstraram cautela diante do pedido de Trump. O Reino Unido informou que o primeiro-ministro Keir Starmer discutiu com Trump a importância de reabrir o estreito, enquanto a França mencionou trabalhar com parceiros em uma possível missão internacional, mas apenas quando "as circunstâncias permitirem". A China, através de um porta-voz de sua embaixada nos EUA, Liu Pengyu, disse que "todas as partes têm a responsabilidade de garantir um fornecimento de energia estável" e que fortalecerá a comunicação para reduzir tensões.

Paralelamente, a Agência Internacional de Energia anunciou no domingo que estoques emergenciais de petróleo "logo começarão a chegar aos mercados globais", em uma ação coletiva descrita como "de longe a maior já realizada", com quase 412 milhões de barris a serem liberados. Países asiáticos planejam liberar estoques imediatamente, enquanto reservas da Europa e das Américas começarão a ser liberadas a partir do fim de março, em uma tentativa de conter a disparada dos preços.

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A situação permanece volátil, com novos ataques iranianos contra Israel sendo reportados na madrugada de segunda-feira, causando danos em vários locais. A recusa dos países europeus ao pedido de Trump evidencia as divisões internacionais e os desafios para estabilizar uma região crítica para a economia global, enquanto o conflito segue com um custo humano cada vez mais alto.