Crise diplomática: Papa Leão 14 e Trump travam embate público sobre guerra no Irã
Papa Leão 14 e Trump em crise diplomática sobre guerra no Irã

Crise diplomática entre Vaticano e Washington se intensifica com troca de críticas

Desde o final de março, o papa Leão 14 vem realizando críticas contundentes à guerra no Irã, o que tem gerado tensões significativas na relação entre o Vaticano e Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem respondido com ataques diretos ao pontífice, criando um embate público sem precedentes na diplomacia internacional. A seguir, apresentamos a cronologia detalhada deste conflito diplomático que tem chamado a atenção mundial.

Críticas à guerra e início das tensões

29 de março: Durante a celebração do Domingo de Ramos, o papa Leão 14 declarou que "Deus rejeita as orações de líderes que fazem guerras", cujas mãos estão "cheias de sangue", um dia após o conflito no Irã completar um mês. "Este é o nosso Deus: Jesus, rei da paz, que rejeita a guerra, a quem ninguém pode usar para justificar a guerra", disse Leão à multidão que o assistia na Praça de São Pedro. O sumo pontífice também lamentou profundamente que cristãos no Oriente Médio sofram as consequências de um "conflito atroz" e que não possam celebrar a Páscoa de maneira adequada.

12 de abril: O presidente americano fez sua primeira declaração atacando diretamente o papa pela forma como criticava a política externa de seu governo. Em sua rede social Truth Social, Trump afirmou que Leão 14 era "fraco com a criminalidade e terrível para a política externa", além de sugerir de maneira incisiva que o papa deveria "se concentrar em ser um grande papa, e não um político".

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Resposta do pontífice aos ataques de Trump

13 de abril: Um dia após a declaração do presidente americano, o pontífice - que é o primeiro americano da história a assumir a posição - respondeu com firmeza que "não tem medo" do governo Trump. Durante sua viagem de dez dias pela África, Leão 14 falou a jornalistas que "não é um político" e não desejava qualquer tipo de debate com o presidente dos Estados Unidos. "Não acho que a mensagem do Evangelho deva ser abusada como alguns estão fazendo. Eu vou continuar a falar fortemente contra a guerra, buscando promover a paz, o diálogo e o multilateralismo entre os Estados para encontrar soluções", declarou o papa com convicção.

Horas antes desta declaração, o presidente americano havia pronunciado em suas redes sociais que Leão 14 somente foi escolhido para o cargo pois é americano. "Eles [a Igreja] acharam que seria o melhor modo de lidar com o presidente Donald J. Trump", disse o republicano de maneira provocativa.

Reações de Trump e provocações ao Vaticano

13 de abril: Mais tarde no mesmo dia, Donald Trump fez mais uma provocação direta ao pontífice, publicando em suas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial, onde aparece vestido como Jesus Cristo, com a mão apoiada sobre a testa de um homem doente e com a bandeira dos Estados Unidos ao fundo. Horas depois, a publicação foi apagada das plataformas digitais. Em entrevista a repórteres, Trump declarou que foi ele mesmo quem havia publicado a imagem controversa. "Achei que fosse eu como médico e que tivesse a ver com a Cruz Vermelha, como um trabalhador da Cruz Vermelha, que nós apoiamos", disse o presidente, que culpou a imprensa pela comparação com Jesus. "Só a imprensa falsa poderia inventar essa. Acabei de ouvir sobre isso e disse: como eles chegaram a essa conclusão? A ideia é que eu fosse um médico, fazendo as pessoas se sentirem melhor - e eu faço as pessoas se sentirem melhores."

15 de abril: Dois dias após a polêmica da imagem, Trump compartilhou mais uma imagem gerada por inteligência artificial, na qual aparece sendo abraçado por Jesus Cristo. Na postagem feita na rede Truth Social, o presidente republicou o tuíte de um usuário do X que disse que Deus deveria estar jogando sua "carta Trump". Na legenda, Trump afirmou: "Os lunáticos da esquerda radical podem não gostar disso, mas eu acho bem legal!!!", em mais uma provocação direta à Igreja Católica e suas lideranças.

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16 de abril: Em sua mais recente crítica a Leão 14, Trump disse com veemência: "O papa precisa entender - é muito simples - o Irã não pode ter uma arma nuclear. O mundo estaria em grande perigo", declarou ele a repórteres na Casa Branca. Para o presidente americano, o sumo pontífice pode "falar o que quiser", e "quer que ele fale o que quiser", mas que pode "discordar dele" abertamente. "Eu acho que o Irã não pode ter uma arma nuclear", reiterou Trump com firmeza.

Declarações do papa pela paz mundial

15 de abril: Após as publicações controversas de Trump, o pontífice voltou a se pronunciar enfaticamente pela paz no mundo. Em Camarões, Leão 14 afirmou com convicção: "É tempo de examinar nossas consciências e dar um ousado salto adiante. Para que a paz e a justiça prevaleçam, as correntes da corrupção, que desfiguram a autoridade e retiram dela sua credibilidade, precisam ser quebradas".

16 de abril: O papa criticou duramente líderes que gastam recursos em guerras, afirmando que o mundo está "sendo assolado por um grupo de tiranos" em seu mais recente pronunciamento durante sua visita a Camarões. Ao público que o acompanhava na cidade de Bamenda - que vem sofrendo com uma onda de violência em meio a um conflito de insurgentes contra o regime de Paul Biya - Leão 14 condenou o "ciclo sem fim de desestabilização e morte" da região e afirmou com clareza: "A paz não é algo que precisamos inventar. É algo que precisamos abraçar, aceitando nosso vizinho como irmão ou irmã."