Novo sistema biométrico da União Europeia provoca filas extensas em aeroportos
O Sistema de Entrada/Saída (EES), que substituiu o carimbo tradicional nos passaportes e se tornou obrigatório para a maioria dos países da União Europeia desde quinta-feira (9), tem causado filas de até três horas nos principais aeroportos do bloco. A implementação deste mecanismo eletrônico, que não possui custo para os viajantes, tem resultado em significativa lentidão nos controles de fronteira, conforme relatos de passageiros e autoridades aeroportuárias.
Quem precisa utilizar o EES e como ele funciona
O EES é obrigatório para viajantes de fora da União Europeia, incluindo Islândia, Liechtenstein, Noruega, Suíça e, claro, brasileiros, que desejem ingressar no espaço Schengen para permanências de até 90 dias a cada 180 dias. O sistema coleta e armazena dados biométricos, como fotografia facial e impressões digitais, com o objetivo declarado de aumentar a segurança e agilizar futuros processos de imigração.
Impacto imediato: atrasos e relatos preocupantes
De acordo com o Conselho Internacional de Aeroportos (ACI), passageiros em pelo menos 15 países – entre os quais se destacam França, Alemanha, Itália, Espanha e Grécia – enfrentaram atrasos que chegaram a três horas desde a ativação do sistema. Problemas operacionais já eram esperados, visto que dificuldades similares ocorreram durante a fase inicial de implementação em outubro de 2025.
Um caso emblemático ocorreu no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, onde o EES precisou ser suspenso por três meses após gerar filas excessivamente longas. Relatos nas redes sociais ilustram a dimensão do problema. Um usuário da plataforma X descreveu, em 28 de dezembro: "Minha mãe, com quase 70 anos, está há 6 horas na fila do controle de passaporte do Aeroporto de Lisboa. Sem comida, sem água, sem banheiro, junto com centenas de outros, incluindo idosos e crianças".
Perspectivas de longo prazo e benefícios potenciais
Apesar dos transtornos iniciais, a Organização Mundial do Turismo avalia que o EES deve trazer benefícios significativos a médio e longo prazo. A entidade argumenta que o sistema tende a agilizar o processo de imigração no futuro, pois os dados ficarão armazenados e não precisarão ser recolhidos novamente, além de aumentar a segurança ao verificar com mais precisão a correspondência entre o viajante e o documento apresentado.
Como acelerar o processo: o aplicativo Travel Europe
Para tentar mitigar os atrasos, os viajantes – especialmente aqueles com passaporte biométrico – podem utilizar ferramentas para adiantar o envio de informações. O registro completo dos dados pessoais, incluindo imagem facial, digitais e dados do passaporte, ainda é obrigatório e deve ser feito presencialmente com agentes de imigração. No entanto, é possível um pré-cadastro através de:
- Sistemas de autoatendimento nos aeroportos (quando disponíveis);
- O aplicativo "Travel Europe", que permite o registro antecipado de alguns dados.
O aplicativo, disponível apenas em inglês no momento, possibilita o envio de informações como passaporte, fotografia e questionário de entrada até 72 horas antes da viagem. Seu uso é opcional e atualmente é oferecido com funcionalidades completas pela Suécia e parcialmente por Portugal (apenas para questionário).
Passo a passo para usar o aplicativo Travel Europe
- Baixe o aplicativo na App Store ou Google Play;
- Selecione a opção para "criar uma nova viagem", indicando o país europeu de entrada ou saída;
- Escolha o posto de controle de fronteira e o horário previsto de chegada;
- Escaneie a página de dados e o chip do passaporte;
- Tire uma selfie para confirmação de identidade;
- Responda a perguntas sobre a viagem;
- (Opcional) Adicione outras pessoas que viajam no mesmo grupo;
- Envie as informações e aguarde a confirmação do registro;
- Ao chegar ao aeroporto, siga as orientações dos agentes de fronteira.
E para quem já utilizou o sistema?
Viajantes que já passaram pelo registro completo do EES em uma entrada anterior não precisam refazer todo o cadastro. Nesses casos, será necessária apenas uma verificação dos dados já armazenados, que pode ser realizada por agentes de imigração ou através de sistemas de autoatendimento (totens), desde que o viajante possua passaporte biométrico. É importante ressaltar que, a critério do agente, uma nova coleta de dados pode ser solicitada se julgada necessária.
Países que exigem o EES e uma distinção crucial
O EES é obrigatório atualmente nos seguintes países: Áustria, Bélgica, Bulgária, Croácia, Tchéquia, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Holanda, Noruega, Polônia, Portugal, Romênia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia e Suíça.
Atenção: É fundamental não confundir o EES com o Sistema Europeu de Informação e Autorização de Viagens (Etias), que é uma autorização eletrônica de viagem separada e cuja implementação está prevista apenas para o final de 2026.



