O diagnóstico de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a crise no tribunal foi tema de uma reunião recente na residência oficial do Senado. Quatro magistrados e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), discutiram os rumos da Corte e traçaram um cenário de contenção da crise. O encontro, que ocorre periodicamente quando as crises permitem, serve para os juízes analisarem o cenário político com aquele que é responsável, entre outras coisas, por dar andamento ao processo de impeachment contra integrantes da mais alta Corte do país.
Reunião na residência oficial do Senado
Segundo relatos obtidos por VEJA, o convescote teve como alvo principal o ministro Edson Fachin e o diagnóstico de que a crise de imagem sem precedentes do Judiciário é culpa do próprio presidente do STF. Os magistrados avaliaram que o cenário de críticas tendia a amainar porque o ministro Dias Toffoli, que manteve relações comerciais com o fundo ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, havia se declarado impedido de julgar casos relacionados ao Banco Master. Eles consideraram que o desgaste ainda persiste porque Fachin escolheu como pauta preferencial de sua gestão a adoção de um código de ética para os togados.
Cerco ao STF está longe do fim
A realidade, no entanto, mostra que, ao contrário da descrição otimista do cenário, o cerco ao STF está longe do fim. Além da negociação dos acordos de delação premiada que Vorcaro, do cunhado Fabiano Zettel e de João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, desgastes como o uso de jatinhos particulares por parte de magistrados e a incógnita do que o ex-dono do Master está disposto a revelar deve manter o STF no centro do noticiário político-eleitoral. Conforme revelou VEJA, pré-candidatos ao Senado de partidos que orbitam o ex-presidente Jair Bolsonaro têm utilizado a defesa do impeachment de ministros do Supremo como plataforma eleitoral.
Reforma do Judiciário como possível saída
“Eles estão achando que tudo é normal e que vão conseguir resolver”, resume um magistrado defensor de uma reforma no Judiciário, pauta recentemente encampada pelo ministro Flávio Dino e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Diz um dos ministros presentes à costura da saída externada por Dino: “É uma questão de abordagem: se falar em reformar só o Supremo, ninguém do Supremo vai concordar, mas tratar de uma ampla reforma do Judiciário, do início ao fim, é mais palatável e despersonaliza”. Ainda que, a preço de hoje, seja para inglês ver.



