Corretora com registro suspenso no Creci segue atuando e é investigada por estelionato
Corretora com registro suspenso segue atuando e é investigada

A corretora de imóveis Josiane Maria Barbosa Passos, investigada por suspeita de estelionato em Ribeirão Preto (SP), está com o registro profissional suspenso no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), mas continua atuando na cidade, conforme denúncias de pessoas que afirmam terem sido enganadas por ela.

De acordo com o Creci, ao continuar exercendo a profissão mesmo com o registro suspenso, Josiane comete exercício ilegal da profissão. "Ela é corretora, só que está suspensa. A partir daí, está totalmente ilegal, tanto junto ao Creci quanto perante a sociedade. Ela está fazendo algo extremamente proibido, o exercício ilegal da profissão", afirmou Antônio Marcos Melo, diretor regional do Conselho.

Vítimas relatam prejuízos

As vítimas contam que Josiane cobrava pagamentos antecipados como garantia para evitar que os imóveis fossem alugados ou vendidos para outras pessoas, mas as casas continuavam disponíveis no mercado. Em fevereiro, uma conferente de logística perdeu R$ 10 mil após confiar na corretora para a compra da casa própria. Em outro caso, uma dona de casa descobriu uma família morando no imóvel que estava sendo negociado e perdeu R$ 5 mil.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Pelo menos sete boletins de ocorrência foram registrados por estelionato contra Josiane Maria Barbosa Passos.

Defesa alega 'negócios mal realizados'

O advogado de Josiane, Tiago Lopes, defende que ela fez "negócios mal realizados", mas nega a intenção de golpe. "Existem negócios mal realizados, mas a intenção de estelionato, a intenção de golpe não existe por parte da minha cliente. Se for apurado que realmente as vítimas foram lesionadas, ela vai indenizar cada uma delas".

À EPTV, afiliada da TV Globo, o advogado disse que existem dois inquéritos policiais em andamento, mas Josiane ainda não foi intimada pela Polícia Civil para prestar esclarecimentos. "Existem no nome da minha cliente dois inquéritos policiais onde ela nem sequer foi citada ainda, ela não foi nem intimada a responder esses inquéritos. Ela diz que, quando for intimada, vai indenizar cada uma das pessoas que realmente foi apurado que houve uma lesão".

Indicação de amigos e parentes

As vítimas chegaram até Josiane por indicação de amigos e parentes que fizeram negócios bem-sucedidos com a corretora. O caso mais recente é da conferente de logística Camila Kauiza Luna da Silva, que pagou R$ 10 mil de entrada em uma casa, mas a negociação nunca foi concluída. Segundo ela, o irmão já havia comprado uma casa por intermédio de Josiane sem problemas, por isso ela também procurou os serviços. "Eu me sinto arrasada. Ela destruiu o nosso sonho, porque eu pensei que ia ter uma casa para os meus filhos e hoje eu continuo pagando aluguel e sem dinheiro".

A dona de casa Daniele da Silva Barbosa descobriu que já havia uma família vivendo na casa que negociava com Josiane. Ela transferiu mais de R$ 5 mil durante as negociações, mas o contrato nunca foi entregue. Ao ir até o imóvel, viu que ele estava ocupado. "Ela falou dois dias atrás que não teria ninguém na casa e hoje a casa está ocupada. Tem gente morando, estou vendo ali que tem até cachorro na frente. Ou seja, só mentira atrás de mentira. Resolução, nada". Daniele revelou que a corretora foi indicada por uma colega de trabalho.

Perfil falso de policial

A secretária Letícia Lara de Moraes busca receber ao menos R$ 19 mil de uma negociação que não deu certo. O valor foi obtido por meio de um empréstimo com o patrão e repassado a Josiane como adiantamento na compra de um imóvel no fim de 2024, mas o negócio nunca saiu do papel. Letícia deu um prazo para a devolução, mas recebeu mensagens de um contato com foto de um policial no perfil, afirmando falar em nome de Josiane. O contato disse que a corretora não tinha dinheiro para pagar a dívida e que as partes deveriam firmar um acordo, "sem envolver familiares e nem vida social".

A EPTV apurou que a foto é de um policial civil do Rio de Janeiro que morreu em 2021 por Covid-19. "A gente cai no susto. A gente pôs a pessoa dentro da minha casa, confiei nela de mandar o valor, ela colocou a gente dentro da casa dela, com filhos pequenos, menores de idade dentro de casa. A gente assinou o contrato também dentro da casa dela. Como a pessoa tem a capacidade de fazer isso?", desabafou Letícia.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A defesa de Josiane disse desconhecer os fatos apontados na reportagem e que eles não estão relatados em boletim de ocorrência.

Cobrança de adiantamentos é irregular

Segundo Antônio Marcos Melo, diretor regional do Creci em Ribeirão Preto, durante negociações de imóveis, corretores nunca pedem adiantamentos, prática inexistente no mercado imobiliário formal. "O pagamento de um imóvel deve ser feito em cartório, mediante escritura. Não é no 'conto de fadas' de um corretor vendendo uma promessa. O corretor pediu dinheiro adiantado? Procure outro. Não é assim que funciona".

O diretor orienta que a população consulte o site do Creci para verificar a situação do corretor. "A sociedade deveria buscar informação no site do Creci. Se tiver dúvida, entra no site. Ali a pessoa vai ter o número da corretora ou do corretor e vai saber se tem algum processo, se aquele profissional está nas normas corretas".