Meloni volta a defender o papa e enfrenta Trump em crise diplomática
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou em mais um conflito com uma liderança mundial, desta vez com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Antes aliados próximos, os dois começaram a trocar críticas publicamente, em um episódio que tem como pano de fundo declarações sobre o papa Leão XIV.
Críticas ao papa acirram disputa entre ex-aliados
O estopim da crise ocorreu quando Trump chamou o pontífice de "fraco" por condenar a guerra no Irã, no domingo (12). Em resposta, Meloni emitiu um comunicado na segunda-feira (13), afirmando: "Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra".
Trump retrucou em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, expressando surpresa com a postura de Meloni e sugerindo que ela perdeu coragem. "Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país", declarou o presidente norte-americano.
Histórico de aproximação e ruptura gradual
Meloni sempre foi vista como uma das líderes europeias mais alinhadas com Trump, compartilhando posições sobre imigração ilegal e críticas a agendas progressistas. A relação estreita incluiu:
- Encontro com o ex-conselheiro de Trump, Stephen Bannon, em 2018.
- Participação em eventos conservadores nos Estados Unidos.
- Presença na cerimônia de posse de Trump em 2025, como única líder europeia.
No entanto, o distanciamento começou meses antes do episódio envolvendo o papa. Em abril do ano passado, Trump anunciou tarifas comerciais contra aliados europeus, levando Meloni a criticar a decisão. Apesar disso, a premiê ainda viajou a Washington para um encontro cordial na Casa Branca.
Momentos tensos e mudança de tom
A relação sofreu abalos com declarações de Trump sobre a Groenlândia e ações militares no Irã. Em fevereiro, quando os EUA atacaram o Irã em conjunto com Israel, a Itália foi surpreendida, o que gerou críticas internas. Meloni passou a condenar a guerra, recusando o uso de bases aéreas italianas para operações norte-americanas e afirmando que o ataque violou normas internacionais.
Analistas ouvidos pelo The New York Times avaliam que Meloni aproveitou a crise com o papa para sinalizar um afastamento de Trump, buscando melhorar sua imagem entre eleitores italianos descontentes. Pesquisas indicam aumento da impopularidade de ambos na Itália.
Repercussões e futuro das relações
Em movimentos recentes, Meloni anunciou que a Itália não renovará um acordo de defesa com Israel, após incidentes no Líbano. Especialistas acreditam que a decisão tem motivações políticas internas. Enquanto isso, Trump insiste que a relação com a Itália se deteriorou, especialmente após a falta de apoio no conflito com o Irã.
Por outro lado, autoridades italianas, como o ministro Adolfo Urso, afirmam que a aliança com os EUA permanece sólida dentro de instituições como a OTAN. A ex-embaixadora Mariangela Zappia ressalta que, apesar da crise pessoal, as relações bilaterais não devem ser profundamente afetadas, com a Europa buscando maior participação nas decisões estratégicas.
Este episódio marca um capítulo significativo na política internacional, destacando como alianças podem ser reavaliadas em meio a pressões domésticas e divergências ideológicas.



