Chanceler brasileiro rejeita acusações de comissão dos EUA sobre presença chinesa
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, negou categoricamente as informações contidas em um relatório de uma comissão do Congresso dos Estados Unidos que aponta a existência de uma suposta rede de instalações espaciais chinesas com potencial uso militar na América Latina, incluindo duas bases no território brasileiro. Durante participação na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, o chanceler afirmou que não há qualquer evidência de operação chinesa no Brasil com fins militares ou de inteligência.
Declarações firmes contra especulações
Segundo Mauro Vieira, as conclusões do documento norte-americano são baseadas em "especulações" e em informações distorcidas. "Não existe estação, nem antena, nem operação chinesa, nem parceria militar, nem qualquer elemento que justifique as ilações descritas no relatório ou nas denúncias subsequentes", declarou o ministro. Ele acrescentou que se trata de especulações derivadas de notícias de internet cujos conteúdos foram descontextualizados e distorcidos, baseadas em um viés geopolítico que enxerga a América Latina como "quintal" dos Estados Unidos.
Contexto do relatório americano
No início de março, uma comissão do Congresso dos EUA publicou um relatório em que acusa a China de operar uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial uso militar. Duas das instalações nomeadas no documento ficam no Brasil. O documento menciona especificamente uma suposta estação terrestre na cidade de Tucano, na Bahia, e o radiotelescópio do Projeto Bingo, na Serra do Urubu, na Paraíba.
Esclarecimentos sobre as instalações mencionadas
Vieira afirmou que a estação de Tucano "não existe" e que não há construção, contrato, infraestrutura ou operação no local. O que existe, de acordo com o ministro, é apenas um projeto da empresa brasileira Alya Nanossatélites para a criação de estações de comunicação, que nunca saiu do papel. Ainda no início de março, a startup negou fornecer dados ao governo chinês. A CEO da empresa, Aila Raquel, disse que sua empresa tem fins apenas civis e comerciais e se limita a oferecer registros por satélite do território brasileiro para monitoramentos ambientais, respostas a desastres naturais e gestão territorial.
Cooperação científica internacional
Sobre o Projeto Bingo, Vieira destacou que se trata de uma iniciativa científica internacional voltada ao estudo de fenômenos como energia escura, com participação de instituições de diversos países. Ele ressaltou que o equipamento é fixo e não tem capacidade de rastrear satélites ou realizar atividades de espionagem. O ministro também explicou que os memorandos mencionados no relatório americano sobre acordos entre empresas brasileiras e companhias da China eram preliminares e não vinculantes, tendo caducado sem gerar parceria ou contrato.
Conteúdo do relatório norte-americano
O relatório americano afirma que essas estruturas poderiam ser usadas para monitoramento e apoio a operações militares chinesas, além de representar uma ameaça à segurança estratégica dos EUA. O documento também recomenda que o governo americano atue para conter a expansão dessa infraestrutura na América Latina. Intitulado "China em nosso quintal dos fundos: volume 2 - Puxando a América Latina para a Órbita da China", o relatório defende que a China está desenvolvendo laços de cooperação científica e estratégica na área espacial com diversos países da região.
Posicionamento geopolítico
A comissão que produziu o relatório, chamada Comissão Seleta da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos sobre Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês, foi criada em 2023 e reúne deputados tanto do Partido Democrata quanto do Republicano. Sob maioria republicana, a comissão deixa clara a visão do presidente dos EUA, Donald Trump, de tratar a América Latina como "quintal dos fundos" de Washington.
Manutenção da cooperação internacional
O ministro brasileiro rejeitou todas as alegações e afirmou que o país mantém cooperação internacional na área espacial para fins científicos. "Trata-se de especulações derivadas de notícias descontextualizadas e distorcidas", reafirmou Vieira, enfatizando o compromisso do Brasil com parcerias internacionais legítimas e transparentes no campo da ciência e tecnologia espacial.



