Péter Magyar anuncia posse em maio e promete reformas na Hungria após vitória sobre Orbán
O líder da oposição húngara e vencedor das eleições parlamentares, Péter Magyar, afirmou nesta quarta-feira (15) que o presidente do país, Tamás Sulyok, indicou que o novo governo pode tomar posse na primeira semana de maio. Este prazo acelerado marcaria o fim dos 16 anos de Viktor Orbán no poder, após uma vitória expressiva do partido de centro-direita Tisza nas eleições de domingo (12), que conquistou dois terços das cadeiras no Parlamento.
Transição acelerada e garantias presidenciais
Após uma reunião reservada com o presidente Sulyok, Magyar disse a jornalistas, em frente ao palácio presidencial, que recebeu a garantia de que será indicado ao cargo de primeiro-ministro. Segundo ele, a sessão inaugural do novo Parlamento, que deve eleger o primeiro-ministro, deve ocorrer nos dias 6 ou 7 de maio, dentro do prazo legal que vai até 12 de maio.
"O presidente acha, e acho que todos acham, que é do interesse da nação húngara que, após um mandato tão expressivo dos eleitores, a mudança de governo e de regime aconteça o mais rápido possível", declarou Magyar, enfatizando a pressão para uma transição ágil.
Reformas estruturais e mudanças na mídia pública
Magyar prometeu promover uma ampla reforma na estrutura do governo, criando ministérios específicos para saúde, meio ambiente e educação, áreas que não tinham pastas próprias na gestão de Orbán. Em sua primeira participação na emissora pública do país em quase dois anos, também nesta quarta, ele anunciou a intenção de suspender os programas de notícias do canal, que, segundo ele, funcionam como porta-voz do partido Fidesz, de Orbán, até que haja condições de independência e imparcialidade.
"Um dos pontos-chave do nosso programa é que essa fábrica de mentiras vai acabar quando o governo do Tisza for formado", afirmou, reforçando o compromisso com uma mídia mais transparente.
Pedido de renúncia presidencial e poder constitucional
Magyar também pediu que o atual governo atue apenas de forma interina nas próximas semanas, evitando decisões que possam prejudicar os interesses do país ou atrapalhar a nova gestão. Ele afirmou ainda que solicitou ao presidente Sulyok que renuncie após a formação do novo governo, recebendo a resposta de que o pedido será "considerado".
"Repeti a ele que é indigno de representar a unidade da nação húngara e inapto para ser o guardião da lei", disse Magyar, acrescentando que, caso o presidente não renuncie, o novo governo pretende promover mudanças constitucionais para removê-lo "junto com todos os outros fantoches instalados pelo sistema de Orbán".
Com a supermaioria de dois terços no Parlamento, o partido Tisza terá poder para alterar a Constituição e rever diversas políticas implementadas por Orbán, incluindo uma reaproximação estratégica com a União Europeia, conforme reafirmado por Magyar em declarações anteriores.



